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04/10/2012
As horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo
Das 7 às 8 horas
 
 
 

Das 8 às 9 da noite

A Ceia Eucarística

Meu amável Amor, sempre insaciável no Teu Amor, vejo que ao terminares a ceia oficial Te levantas da mesa, com os Teus queridos discípulos, e, unido a eles, elevas o hino de acção de graças ao Pai, por vos ter dado o alimento, querendo, deste modo, reparar todas as faltas de agradecimento das criaturas, pelos inúmeros meios que nos concede para o sustento da vida corporal. Por isso, ó Jesus, naquilo que fazes, tocas ou vês, tens sempre nos lábios a palavra “Graças Te sejam dadas, ó Pai”. Também eu, ó Jesus, unido a Ti, recebo a palavra dos Teus próprios lábios e direi sempre e em tudo: “Obrigado por mim e por todos”, para continuar a reparação pela falta de agradecimento.

 

O Lava-Pés

Mas, ó meu Jesus, o Teu Amor parece que não conhece tréguas. Vejo que fazes sentar de novo os Teus amados discípulos; pegas numa bacia de água, cinges-Te com uma toalha branca e prostras-Te aos pés dos Apóstolos, num gesto tão humilde que chama a atenção de todo o Céu fazendo-o ficar estático. Os próprios Apóstolos permanecem quase imóveis, ao verem-Te prostrado aos seus pés. Mas, meu Amor, diz-me o que queres? O que pretendes com este acto tão humilde? Humildade que nunca se viu e nunca se verá!

“Ah, meu filho, quero todas as almas e, prostrado aos seus pés, como pobre mendigo, peço-lhes, importuno-as e, chorando, maquino contra elas insídias de amor, para conquistá-las! 

Prostrado aos seus pés, com esta bacia de água, misturada com as Minhas lágrimas, quero lavá-las de qualquer imperfeição e prepará-las para Me receberem no Sacramento.

Este acto de Me receber na Eucaristia está-Me tanto a peito, que não quero confiar este ofício aos Anjos e nem sequer à Minha querida Mãe, mas Eu mesmo quero purificar, até mesmo as suas fibras mais íntimas, para dispô-las a receber o fruto do Sacramento; e nos Apóstolos tencionava preparar todas as almas.

Pretendo reparar todas as obras santas vazias de espírito divino e sem empenho e a administração dos Sacramentos, realizada, sobretudo, pelos sacerdotes com espírito de soberba. Ah, quantas obras boas Me chegam, mais para Me desonrar que para Me honrar! Mais para Me amargurar que para Me satisfazer! Mais para Me matar que para Me dar vida! Estas são as ofensas que mais Me entristecem. Ah, sim, meu filho, enumera todas as ofensas mais íntimas que se fazem contra Mim e repara-Me com as Minhas próprias reparações; consola o Meu Coração amargurado!”

Ó meu Bem aflito, faço minha a Tua Vida e, unido a Ti, tenciono reparar-Te todas estas ofensas. Desejo entrar no mais íntimo do Teu Coração Divino e reparar, com o Teu próprio Coração, as ofensas mais íntimas e secretas que recebes dos Teus mais queridos. Ó meu Jesus, quero seguir-Te em tudo. Unido a Ti, quero girar por todas as almas, que Te irão receber na Eucaristia, entrar nos seus corações, colocar as minhas mãos nas Tuas para as purificar

Ó Jesus, com estas Tuas lágrimas e água, com a qual lavastes os pés aos Apóstolos, lavemos as almas que Te devem receber, purifiquemos os seus corações, inflamemo-los, sacudamos a poeira com a qual estão manchados, a fim de que recebendo-Te, Tu possas encontrar nelas as Tuas complacências em vez das Tuas amarguras.

Porém, ó meu amoroso Bem, enquanto estás todo absorvido a lavar os pés dos Apóstolos, olho para Ti e vejo uma outra dor que dilacera o Teu Santíssimo Coração. Estes Apóstolos representam para Ti todos os futuros filhos da Igreja e, cada um deles, a série de todos os Teus sofrimentos. Nalguns as fraquezas, noutros os enganos; neste as hipocrisias, naquele o amor desmedido aos interesses; em S. Pedro a falta de firmeza e todas as ofensas dos Chefes da Igreja; em S. João as ofensas daqueles que Te são mais fiéis; em Judas todos os apóstatas, com toda a série dos males graves que estes cometem.
Ah, o Teu sofrimento é sufocado pela dor e pelo amor, de tal modo que, não podendo resistir mais, Te deténs aos pés de cada um dos Apóstolos e desatas em lágrimas, rezas, reparas, cada uma destas ofensas, e pedes para todos o remédio necessário.

Meu Jesus, também eu me uno a Ti; faço minhas as Tuas orações, as Tuas reparações e os Teus remédios necessários para cada alma. Quero misturar as minhas lágrimas com as Tuas, a fim de que Tu nunca mais fiques sozinho, mas eu esteja sempre conTigo, para partilhar as Tuas penas.

Mas, ó meu doce Amor, enquanto continuas a lavar os pés aos Apóstolos, vejo que já estás aos pés de Judas. Ouço a Tua respiração ofegante. Vejo que não só choras, mas soluças, e enquanto lavas aqueles pés, beija-los, aperta-los ao Teu Coração e, não podendo falar com a voz, porque sufocada pelo pranto, olha-lo com os olhos rasos de lágrimas e dizes-lhe com o coração:

“Meu filho, rogo-te com as vozes das lágrimas, não vás para o Inferno! Dá-Me a tua alma, que ta peço, prostrado aos teus pés. Diz, o que queres? O que pretendes? Dar-te-ei tudo, contanto que não te percas. Poupa-Me esta dor, a Mim, que sou teu Deus!”

E voltas a abraçar aqueles pés ao Teu Coração. Mas, vendo a dureza de Judas, o Teu Coração aperta-se e sufoca-se e estás prestes a desfalecer. Ó Jesus, minha Vida, permite-me que Te ampare com os meus braços. Compreendo que estes são os Teus estratagemas amorosos, que usas com cada um dos Teus pecadores obstinados.

Ó meu Coração, enquanto me compadeço de Ti e Te reparo as ofensas que recebes das almas, que se obstinam em não querer converter-se, rogo-Te que, juntos, demos a volta à terra e onde houver pecadores obstinados lhes demos as Tuas lágrimas, para que se enterneçam, os Teus beijos e os Teus abraços cheios de amor, para acorrentá-los a Ti, de maneira que não possam fugir, e assim refazer-Te do sofrimento causado pela perda de Judas.

 

Instituição da Eucaristia

Meu Jesus, minha alegria e delícia, vejo que o Teu Amor corre, e corre velozmente. Ergues-Te, desolado como estás, e quase corres para a mesa, onde estão preparados o pão e o vinho para a Consagração. Meu Coração, vejo que adquires um aspecto, totalmente novo e inédito: a Tua Pessoa Divina assume um aspecto terno, amoroso, afectuoso; os Teus olhos cintilam luz, mais do que se fossem sóis; o Teu rosto está resplandecente; os Teus lábios, risonhos e ardentes de amor; as Tuas mãos criadoras colocam-se em atitude de criar. Vejo-Te totalmente transformado; a Divindade parece transbordar para fora da Humanidade.

Jesus, meu Coração e minha Vida, este teu aspecto, nunca visto, chama a atenção de todos os Apóstolos; eles estão arrebatados por um doce encanto e nem sequer ousam abrir a boca. A doce Mãe corre em espírito, junto da mesa, para admirar os portentos do Teu Amor. Os Anjos descem dos céus e perguntam-se uns aos outros: “O que é? O que é? São autênticas loucuras, verdadeiros excessos! Um Deus que cria, não o céu e a terra, mas a Si mesmo. E onde? Dentro da matéria vilíssima de um pouco de pão e de vinho”.

Mas, enquanto todos estão ao teu redor, ó Amor insaciável, vejo que tomas o pão nas Tuas mãos, o ofereces ao Pai e ouço a Tua voz dulcíssima que diz:

“Pai Santo, graças Te sejam dadas, a Ti que sempre atendes o Teu Filho. Pai Santo, coopera coMigo. Tu, um dia, mandaste-Me do Céu à terra para Me encarnar no seio da Minha Mãe, para vir a salvar os Nossos filhos; agora, permite-Me que Me encarne em cada Hóstia, para continuar a sua salvação e ser Vida de cada um dos Meus filhos. Vês, ó Pai? São poucas as horas que Me restam da Minha Vida: não tenho coração para deixar os Meus filhos órfãos e sozinhos? Os seus inimigos são muitos: as trevas, as paixões, as fraquezas a que estão sujeitos. Quem os ajudará? Suplico-Te, que Eu permaneça em cada Hóstia, para ser a Vida de cada um e assim colocar em fuga os inimigos e ser para eles Luz, Fortaleza e Auxílio em tudo. De outra forma, para onde irão? Quem os ajudará? As Nossas obras são eternas, o Meu Amor é irresistível: não posso, nem quero abandonar os Meus filhos”.

O Pai enternece-se com a voz suave e afectuosa do Filho. Desce do Céu; já está junto da mesa, unido ao Espírito Santo, para cooperar com o Filho. E com voz sonora e comovedora, Jesus pronuncia as palavras da Consagração e, sem se deixar a Si mesmo, cria-se a Si próprio no Pão e no Vinho.

Depois, dás a Comunhão aos Teus Apóstolos; e julgo que a nossa Mãe Celeste não ficou sem Te receber. Ah, Jesus, os céus inclinam-se e todos Te enviam um acto de adoração no Teu novo estado de profundo aniquilamento.

Mas, ó amável Jesus, enquanto o Teu Amor fica saciado e satisfeito, e não havendo mais nada a fazer, vejo sobre este altar Hóstias que se perpetuarão até ao fim dos séculos; e em cada Hóstia está, em ordem de combate, toda a Tua dolorosa Paixão, porque as Tuas criaturas, aos excessos do Teu Amor, preparam-Te excessos de ingratidão e de crimes enormes. E eu, Coração do meu coração, quero estar sempre conTigo, em cada Tabernáculo, em todas as píxides e em cada Hóstia Consagrada, que se encontrará até ao fim do mundo, para emitir os meus actos de reparação, conforme às ofensas que recebes.

Ó Jesus, contemplo-Te na Hóstia Santa e, como se Te visse na tua adorável Pessoa, beijo a Tua fronte majestosa mas, ao beijar-Te, sinto as pontadas dos Teus espinhos. Nesta Hóstia Santa quantas criaturas não Te dão espinhos: elas apresentam-se diante de Ti e, em vez de Te prestarem a homenagem dos seus bons pensamentos, enviam-Te os seus maus pensamentos e Tu novamente abaixas a cabeça  como fizeste na Paixão, e recebes e toleras os espinhos daqueles pensamentos perversos. Ó meu Jesus, aproximo-me de Ti para partilhar as Tuas penas; coloco todos os meus pensamentos na Tua mente, para afastar estes espinhos que tanto Te ferem, e cada um dos meus pensamentos percorra cada um dos Teus pensamentos, para Te fazer um acto de reparação por todos os pensamentos maus, e assim consolar a Tua mente tão cheia de tristeza.

Jesus, meu Bem, beijo os Teus belos olhos: vejo o Teu olhar amoroso, voltado para aqueles que vêm à Tua presença, ansioso por receber a retribuição dos seus olhares de amor. Mas, quantos vêm à Tua presença, e em vez de Te olharem e de Te procurarem a Ti, olham coisas que os distraem e assim Te privam do gosto que sentes na permuta de olhares de amor! Tu choras e eu, beijando-Te, sinto os meus lábios banhados pelas Tuas lágrimas. Meu Jesus, não chores, quero colocar os meus olhos nos Teus para partilhar conTigo estas Tuas dores e chorar conTigo; e querendo reparar todos os olhares distraídos das criaturas, ofereço-Te os meus olhares sempre fixos em Ti.

Jesus, meu Amor, beijo os Teus Santíssimos Ouvidos; vejo-Te absorvido a ouvir aquilo que as criaturas querem de Ti, para consolá-las. Porém, estas fazem chegar, aos Teus ouvidos, preces mal recitadas, cheias de desconfiança, orações feitas por hábito; e o Teu ouvido, nesta Hóstia Sagrada, é mais incomodado do que na Tua própria Paixão. Ó meu Jesus, quero tomar todas as harmonias do Céu e colocá-las nos Teus ouvidos, para reparar-Te, e desejo pôr os meus ouvidos nos Teus, não só para partilhar estas Tuas dores, mas para Te oferecer o meu contínuo acto de reparação e consolar-Te.

Jesus, minha Vida, beijo o Teu Santíssimo Rosto; vejo-o ensanguentado, lívido e inchado. Ó Jesus, as criaturas vêm à presença desta Hóstia Santa e, com as suas posições indecentes e os seus discursos maldosos, em vez de Te darem honra, parece que Te mandam bofetões e escarros. E Tu, como na Paixão, com toda a paz e paciência, recebe-las e suportas tudo! Ó Jesus, quero colocar o meu rosto perto do Teu, não só para Te beijar e receber os insultos que Te chegam das Tuas criaturas, mas para partilhar conTigo todas as Tuas dores; e com as minhas mãos desejo acariciar-Te, limpar-Te os escarros e apertar-Te com força ao meu coração; e do meu ser fazer inúmeros pedacinhos e colocá-los na Tua presença, como tantas almas que Te adoram, e fazer de todos os meus movimentos, contínuas prostrações para Te reparar das desonras que recebes de todas as criaturas.

Meu Jesus, beijo a Tua Santíssima Boca; vejo que quando vens Sacramentado ao coração das Tuas criaturas, és obrigado a pousar em muitas línguas mordazes, impuras e maldosas. Oh, como ficas amargurado! Sentes-Te como que envenenar por estas línguas e pior ainda, quando desces aos seus corações! Ó Jesus, se fosse possível, quereria encontrar-me na boca de cada criatura, para mudar em louvores todas as ofensas que recebes delas!

Meu Bem afadigado, beijo a Tua Santíssima Cabeça. Vejo-a cansada, esgotada e totalmente ocupada com o Teu trabalho de amor: “Diz-me, o que fazes?”.

E Tu: “Meu filho, nesta Hóstia trabalho desde manhã até à noite, formando correntes de amor; e quando as almas vêm a Mim, Eu acorrento-as ao Meu coração; mas tu sabes o que é que elas Me fazem? Muitas, esforçando-se, desprendem-se e despedaçam as Minhas correntes amorosas; e como estas correntes estão ligadas ao Meu Coração, Eu sou torturado e entro em delírio. Depois, elas ao quebrarem as Minhas correntes, desvirtuam o Meu trabalho, procurando as correntes das criaturas; e isto fazem-no mesmo na Minha presença, servindo-se de Mim para alcançar os seus fins. Isto entristece-Me muito, despertando em Mim uma “febre” violenta ao ponto de me fazer desfalecer e delirar”.

Ó Jesus, quanta compaixão tenho de Ti! O Teu Amor enfrenta dificuldades e eu, para Te aliviar das ofensas que recebes destas almas, peço-Te que prendas o meu coração com as correntes que elas quebraram, para Te poder dar a minha retribuição de amor.

Meu Jesus, meu Flecheiro Divino, beijo o Teu Peito. O fogo que ele contém é tal e tanto que para dar um pouco de alívio às Tuas chamas, e fazeres uma breve pausa no Teu trabalho, começas a brincar com as almas que vêm a Ti, lançando contra elas as setas de amor que saem do Teu peito. O teu jogo, consiste em formar flechas, dardos e setas; e quando elas atingem as almas, Tu fazes festa. Mas muitas, ó Jesus, rejeitam-nas, enviando-Te em contrapartida flechas de friezas, dardos de tibieza e setas de ingratidão; e Tu ficas tão aflito ao ponto de chorares amargamente! Ó Jesus, eis o meu peito pronto a receber não só as tuas flechas destinadas a mim, mas também aquelas que as outras almas rejeitam; e assim, já não serás derrotado no teu jogo de amor. Assim, repararei também as friezas, tibiezas e ingratidões que recebes delas.

Ó Jesus, beijo a Tua Mão esquerda e tenho a intenção de reparar todos os toques ilícitos ou reprováveis que são feitos na Tua presença; e suplico-Te que me tenhas sempre apertado ao Teu Coração!

Ó Jesus, beijo a Tua Mão direita, e tenho a intenção de reparar todos os sacrilégios, de modo particular as Missas mal celebradas! Quantas vezes, meu Amor, Tu és obrigado a descer do Céu em mãos e peitos indignos, e embora sintas náusea ao encontrar-Te naquelas mãos, o amor força-Te a permanecer ali; aliás, em alguns dos Teus Ministros, Tu encontras os renovadores da Tua Paixão, que com os seus enormes crimes e sacrilégios renovam o Deicídio! Jesus, tenho medo de pensar nisto! Mas, infelizmente, assim como na Paixão estavas nas mãos dos Judeus, Tu estás agora naquelas mãos indignas como um manso cordeirinho, esperando de novo a Tua Morte e também a sua conversão. Ó Jesus, quanto sofres! Tu quererias uma mão amante para Te libertar daquelas mãos sanguinárias. Ó Jesus, quando Te encontrares em tais mãos, peço-Te que me chames para perto de Ti e, para Te reparar, cobrir-Te-ei com a pureza dos Anjos, perfumar-Te-ei com as Tuas virtudes, para diminuir a náusea que sentes ao encontrares-Te naquelas mãos, e oferecer-Te-ei o meu coração como salvação e refúgio. Enquanto estiveres em mim, rezar-Te-ei pelos Sacerdotes, a fim de que todos sejam teus Ministros dignos. Assim seja.

Ó Jesus, beijo o Teu Pé esquerdo e quero reparar-Te por aqueles que Te recebem por hábito e sem as devidas disposições.

Ó Jesus, beijo o Teu Pé direito e desejo reparar por aqueles que Te recebem para Te ultrajar. Quando ousarem fazer isto, imploro-Te que renoves o milagre que operaste em Longino; e assim como o curaste e o converteste com o toque do Sangue, que jorrou do Teu Coração trespassado pela sua lança, assim também, com o Teu toque Sacramental, convertas as ofensas em amor e os agressores em amantes!

Ó Jesus, beijo o Teu dulcíssimo Coração, no qual são derramadas todas as ofensas, e eu tenho a intenção de Te reparar de tudo, para Te dar, por todos, uma retribuição de amor, e, sempre contigo, partilhar as Tuas penas!

Ó Flecheiro Celeste, se alguma ofensa escapa à minha reparação, peço-Te que me aprisiones no Teu Coração e na Tua Vontade, a fim de que eu repare tudo. Pedirei à Mãe para eu estar sempre com Ela, a fim de que eu possa reparar tudo e por todos; beijar-Te-emos juntas e, reparando-Te, afastaremos de Ti as ondas de amarguras que recebes das criaturas. Ó Jesus, recorda-Te que também eu sou uma pobre alma pecadora, encerra-me no Teu Coração e, com as correntes do Teu Amor, não me prendas apenas, mas acorrenta  um a um os meus pensamentos, os afectos e os desejos; ata as minhas mãos e os meus pés ao Teu Coração, para que eu não tenha outras mãos senão as Tuas nem outros pés senão os Teus!

Assim, meu Amor, o meu cárcere será o Teu Coração, as minhas correntes serão formadas pelo amor, as Tuas chamas serão o meu alimento; a Tua respiração será a minha, os portões que me impedirão de sair será a Tua Santíssima Vontade; e assim, só tocarei fogo, não verei mais nada senão chamas que, enquanto me darão vida, me darão morte como aquela que Tu padeces na Sagrada Hóstia. Dar-Te-ei a minha vida e assim, enquanto eu ficarei na prisão, Tu ficarás livre em mim. Acaso não é esta a Tua intenção, ao ficares prisioneiro na Hóstia, para seres posto em liberdade pelas almas que Te recebem, adquirindo Vida nelas? E agora, em sinal de amor, abençoa-me, dá-me o místico ósculo de Amor à minha alma, enquanto eu Te abraço e permaneço unido a Ti.

Ó meu amável Coração, vejo que, depois de teres instituído o Santíssimo Sacramento e de teres visto a enorme ingratidão e as ofensas das criaturas, aos excessos do Teu Amor, ainda que fiques ferido e amargurado, não recuas e, pelo contrário, queres afogar tudo na imensidão do Teu Amor.

Ó Jesus, vejo que Tu próprio Te dás aos Teus Apóstolos e depois acrescentas que aquilo que fizeste Tu, também eles o devem fazer, dando-lhes o poder de consagrar, e por isso ordena-los Sacerdotes e instituis outros Sacramentos. De modo que, pensas em tudo e tudo reparas; as pregações mal feitas, os Sacramentos administrados e recebidos sem disposições e portanto sem efeitos, as vocações erradas dos Sacerdotes, tanto da parte deles como de quem os ordena, sem recorrer a todos os meios, para conhecer as vocações verdadeiras. Ah, ó Jesus, nada Te passa despercebido, e eu quero seguir-Te e reparar-Te todas estas ofensas.

Então, depois que cumpriste tudo, tomas conTigo os Teus Apóstolos e encaminhas-Te para o Horto do Getsémani, para dares início à Tua dolorosa Paixão. Seguir-Te-ei em tudo, para ser a tua companhia fiel.

 

Reflexões práticas

Jesus está escondido na Hóstia para dar Vida a todos; no Seu escondimento, abraça todos os séculos e ilumina a todos. Assim também nós, ocultando-nos n’Ele, com as nossas orações e reparações daremos luz e vida a todos, e até mesmo aos próprios heréticos e infiéis, porque Jesus não exclui ninguém.

O que fazer neste escondimento? Para nos tornarmos semelhantes a Jesus Cristo, devemos esconder tudo n’Ele, isto é pensamentos, olhares, palavras, palpitações, afectos, desejos, passos e obras, e até mesmo as nossas próprias preces ocultemo-las nas orações de Jesus. E assim, como o amado Jesus na Eucaristia abraça todos os séculos, também nós os abraçaremos com Ele, unidos a Ele seremos pensamento de cada mente, palavra de cada língua, desejo de todos os corações, passo de todos os pés, obra de cada braço. Assim fazendo, afastaremos do Coração de Jesus o mal que desejariam fazer-Lhe todas as criaturas; procurando substituir todo este mal com todo o bem, que nos for possível fazer; e desta forma, levar Jesus a dar salvação, santidade e amor a todas as almas.

A nossa vida, para corresponder àquela de Jesus, deve ser totalmente conformada à Sua. Com a intenção, a alma deve encontrar-se em todos os Sacrários do mundo, para Lhe fazer companhia permanente, e dar-Lhe alívio e reparação contínua, e com esta intenção fazer todas as acções do dia. O primeiro sacrário está em nós, no nosso coração; portanto, é necessário prestar muita atenção a tudo aquilo que o bom Jesus quer fazer em nós. Muitas vezes, Jesus, estando no nosso coração, faz-nos sentir a necessidade da oração. Ah, é Jesus que deseja rezar e nos quer com Ele, quase que identificando-se, com a nossa voz, com os nossos afectos e com todo o nosso coração, para fazer com que a nossa oração seja uma só com a Sua! E assim, para honrarmos a oração de Jesus, estaremos atentos a emprestar-Lhe todo o nosso ser, de modo que o amado Jesus eleve aos Céus a Sua oração, para falar com o Pai e renovar no mundo os efeitos da Sua própria oração.

É necessário que estejamos atentos a todos os nossos impulsos interiores, porque o bom Jesus ora nos faz sofrer, ora nos quer a rezar, ora nos coloca num estado de ânimo, ora noutro, para poder repetir em nós a Sua própria Vida.

Suponhamos que Jesus nos coloca na ocasião de exercitar a paciência. Ele recebe tantas ofensas das criaturas, que se sente impelido a deitar mão dos flagelos, para ferir as criaturas; e eis que, a nós nos dá a ocasião de exercitar a paciência, e nós devemos prestar-Lhe honras, suportando tudo com paz, como o suporta Jesus; e a nossa paciência arrancar-Lhe-á das mãos os flagelos, que as outras criaturas provocam, porque em nós, Ele exercitará a Sua própria Paciência Divina. E como a paciência, assim também todas as outras virtudes. No Sacramento, o amado Jesus exerce todas as virtudes e d’Ele auriremos a fortaleza, a mansidão, a paciência, a tolerância, a humildade e a obediência

O bom Jesus dá-nos o Seu Corpo como alimento, e nós dar-Lhe-emos como alimento o amor, a vontade, os desejos, os pensamentos e os afectos; assim, competiremos com o Amor de Jesus. Nada faremos entrar em nós, que não seja Ele, de modo que tudo o que fizermos deve servir como alimento ao nosso amado Jesus. O nosso pensamento deve alimentar o Pensamento divino, ou seja, pensar que Jesus está escondido em nós e quer o alimento do nosso pensamento; assim, pensando santamente, alimentamos o Pensamento divino; a palavra, as palpitações, os afectos, os desejos, os passos e as obras, tudo deve servir como alimento a Jesus; devemos ter a intenção de alimentar em Jesus, as criaturas.

Ó meu amável Amor, Tu nesta hora transubstanciaste-Te, a Ti próprio, no pão e no vinho. Ó Jesus, faz com que tudo o que digo e faço seja uma contínua consagração de Ti, em mim e nas almas.

Minha doce Vida, quando vens a mim, faz com que cada minha palpitação, desejo, afecto, pensamento e palavras possam sentir o poder da Consagração Sacramental, de maneira que, consagrando todo o meu pequeno ser, me transforme em muitas hóstias para Te dar às almas.

Ó Jesus, meu doce Amor, que eu seja a tua pequena hóstia para Te poder encerrar a Ti próprio, em mim, como Hóstia viva.

 

 
 
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