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16/10/2012
As horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo
Das 11 às 12 horas
 
 
 

Das 11 à meia-noite

A Terceira Hora de Agonia no Horto do Getsemani


Meu amável Bem, o meu coração já não aguenta mais; olho para Ti e vejo que continuas a agonizar. De todo o Teu corpo escorrem rios de sangue, com tanta abundância que, não Te aguentando mais em pé, cais num mar [de sangue]. Ó meu Amor, parte-se-me o coração ao ver-Te tão débil e sem forças! O Teu adorável rosto e as Tuas mãos criadoras tocam a terra e mancham-se de sangue; parece-me que aos rios de iniquidade, que as criaturas Te mandam, Tu queres dar [em troca] rios de sangue, para que as suas culpas fiquem afogadas nele e, com ele, dar a cada uma o rescrito do Teu perdão. Mas, ó meu Jesus, levanta-Te, o Teu sofrimento é demasiado; ao Teu Amor, basta até aqui!

E enquanto parece que o meu amável Jesus morre no próprio Sangue, o Amor dá-Lhe nova vida. Vejo-O mover-se com dificuldade; levanta-se, e ensopado de sangue e de lama, parece que quer caminhar, e, não tendo forças, arrasta-se com dificuldade. Minha dócil Vida, deixa que Te leve nos meus braços. Porventura, vais ter com os Teus queridos discípulos? Mas, qual não é a dor do Teu adorável Coração ao vê-los de novo a dormir!

E Tu, com a voz fraca e a tremer, chama-los: “Meus filhos, não dormais! A hora está próxima. Não vedes em que estado Me encontro? Ajudai-Me, não Me abandoneis, nestas últimas horas!”

E, vacilando, estás para cair junto deles, entretanto, João estende os braços, para Te amparar. Estás tão irreconhecível que, se não fosse pela suavidade e doçura da Tua voz, não Te teriam reconhecido. Depois de lhes teres recomendando a vigilância e a oração, regressas ao Horto, mas com uma segunda chaga no Coração. Meu Bem, nesta chaga vejo todas as culpas daquelas almas que, apesar das manifestações dos Teus dons, beijos e carícias, na noite da prova, esquecendo o Teu Amor e os Teus dons, permanecem como que sonolentas e adormecidas, perdendo assim o espírito de oração e de vigilância. 

Porém, meu Jesus, é verdade que, depois de Te ter visto e saboreado os Teus dons, permanecer privados e resistir, é preciso muita força; só um milagre pode fazer com que tais almas resistam à prova. 

Por isso, enquanto me compadeço de Ti, por causa destas almas, cujas negligências, leviandades e ofensas são as mais amargas ao Teu Coração, peço-Te que, se elas vierem a dar um só passo que Te possa desagradar, ainda que minimamente, rodeia-as de tanta Graça, de forma a detê-las, para que não percam o espírito de oração contínua!

Meu amável Jesus, de regresso ao Horto, parece-me que Tu já não podes mais; elevas para o Céu o rosto coberto de sangue e de terra e repetes pela terceira vez: “Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice. Pai Santo, ajuda-Me! Tenho necessidade de conforto! É verdade que, por causa das culpas que tomei sobre Mim, Me tornei repugnante, desagradável, o último dos homens, diante da Tua Majestade infinita; a Tua Justiça está descontente coMigo; mas, olha-Me, ó Pai, sou sempre Teu Filho, que formo uma só coisa conTigo. Ó Pai, tem piedade, ajuda-Me! Não Me deixes sem conforto!”

Depois, ó meu doce Bem, parece-me que Te ouço chamar a Tua querida Mãe, para que venha em teu auxílio: “Terna Mãe, estreita-Me nos Teus braços como Me abraçavas quando era Criança! Dá-Me aquele leite com que Me amamentavas, para Me restabelecer e Me aliviar as amarguras da Minha agonia. Dá-Me o Teu Coração, que constituía toda a Minha alegria. Minha Mãe, Madalena, queridos Apóstolos, vós todos que Me amais, ajudai-Me, confortai-Me. Não Me deixeis sozinho nestes últimos momentos; fazei todos uma coroa em meu redor; dai-Me como conforto a vossa companhia e o vosso amor!”

Jesus, meu Amor, quem poderá resistir ao ver-Te nestes apuros? Qual será o coração, por mais empedernido que seja, que não se comova ao ver-Te tão afogado em sangue? Quem é que não derramará torrentes de lágrimas amargas ao escutar as Tuas palavras dolorosas, que pedem auxílio e conforto?

Meu Jesus, consola-Te, vejo que o Pai Te envia um Anjo, a fim de Te confortar e Te ajudar a sair deste estado, para que Te entregues nas mãos dos judeus; e enquanto estás com o Anjo, eu girarei pelo Céu e pela terra. Tu permitir-me-ás que tome este Sangue que Tu derramaste, a fim de que o possa dar a todos os homens, como penhor de salvação de cada um e trazer-Te em troca, para teu conforto, os seus afectos, palpitações, pensamentos, passos e obras.

Minha Mãe Celeste, venho ter conTigo, para irmos junto de todas as almas, para lhes darmos o Sangue de Jesus. Querida Mãe, Jesus quer ser confortado, e o conforto maior que Lhe podemos dar é levar-Lhe almas. Madalena, acompanha-nos! Anjos, vinde todos ver em que estado se encontra Jesus! Ele quer conforto de todos, e é tal e tanto o abatimento, no qual se encontra, que não afasta ninguém.

Meu Jesus, enquanto bebes o cálice repleto de intensas amarguras que o Pai Celeste Te mandou, sinto que suspiras, gemes e deliras ainda mais e com voz sufocada dizes: “Ó almas, ó almas, vinde, aliviai-Me! Entrai na Minha Humanidade; quero-vos, desejo-vos! Não sejais surdas à Minha voz, não torneis vãos os Meus desejos ardentes, o Meu Sangue, o Meu Amor, as Minhas penas! Vinde, ó almas, vinde!”

MeuJesus delirante, cada um dos Teus gemidos e suspiros é uma ferida para o meu coração que não me dá paz; por isso, faço meu o Teu Sangue, o Teu Querer, o Teu zelo ardente, o Teu Amor e, girando céu e terra, quero ir junto de todas as almas, para lhes dar o Teu Sangue como penhor da sua salvação e trazê-las junto de Ti, para saciar os Teus desejos ardentes, os Teus delírios e suavizar as amarguras da Tua agonia. E, enquanto eu faço isto, acompanha-me com o Teu olhar.

 Minha Mãe, venho ter conTigo, porque Jesus quer almas, quer conforto. Portanto, dá-me a Tua mão materna e juntas giremos por todo o mundo à procura de almas. Encerremos no Seu Sangue os afectos, os desejos, os pensamentos, as obras, os passos de todas as criaturas, e lancemos nas suas almas as chamas do Seu Coração a fim de que se entreguem e, assim, fechadas no Seu Sangue e transformadas pelas Suas chamas, conduzi-las-emos junto de Jesus para suavizar as penas da Sua agonia amarguíssima.

Meu Anjo da Guarda, tu precede-me; vai preparando as almas que deverão receber este Sangue, a fim de que nenhuma gota fique sem o seu copioso efeito. Minha Mãe, depressa, giremos! Vejo o olhar de Jesus que nos segue; sinto os Seus gemidos constantes, que nos impelem a cumprir depressa a nossa tarefa.

 Ó Mãe, depois dos primeiros passos, já nos encontramos à porta das casas onde jazem os enfermos. Quantos membros dilacerados; quantos sob a atrocidade de dores intensas, prorrompem em blasfémias e procuram tirar-se a vida. Outros são abandonados por todos e não têm quem lhes dê uma palavra de conforto e os cuidados mais necessários e, por isso, imprecam e desesperam-se ainda mais. Ah, ó Mãe, sinto os gemidos de Jesus que vê retribuídas com ofensas as Suas mais queridas predilecções de amor, ao permitir que as almas padeçam, para as tornar mais semelhantes a Si. Demos-lhe o Seu Sangue, a fim de que este lhes dê os auxílios necessários e, com a Sua luz, lhes faça compreender o bem que se encontra no sofrimento e a semelhança que se adquire com Jesus; e Tu, minha Mãe, coloca-Te perto deles e, como Mãe afectuosa, toca com as Tuas mãos maternas os seus membros doentes, alivia as suas dores, toma-os nos Teus braços e do Teu Coração, derrama torrentes de Graça sobre todas as suas penas: faz companhia aos abandonados, consola os aflitos, a quem faltam os meios necessários, dispõe Tu almas generosas, para os socorrerem, a quem se encontra sob as atrocidades das dores implora trégua e repouso, para que aliviados possam suportar com mais paciência, quanto Jesus permite.

Andemos mais um pouco e entremos na casa dos agonizantes. Minha Mãe, que horror! Quantas almas estão para cair no Inferno! Quantos, depois de uma vida de pecado, querem dar a última dor àquele Coração tantas vezes trespassado, dando o seu último suspiro num acto de desespero. Muitos demónios estão à sua volta lançando, nos seus corações, terror e medo dos juízos divinos e assim dar o último assalto para os conduzir ao Inferno; quereriam lançar chamas infernais para os envolverem nelas e assim não deixar lugar para a esperança. Outros, presos às coisas da terra, não conseguem resignar-se e dar o último passo; ó Mãe, estes são os últimos momentos, eles têm muita necessidade de auxílio; não vês como tremem, como se debatem entre os espasmos da agonia, como pedem ajuda e piedade? A terra para eles já desapareceu!

Mãe Santa, coloca a Tua mão materna sobre a sua fronte gelada, acolhe Tu os seus últimos anélitos; demos a cada agonizante o Sangue de Jesus, a fim de que, colocando em fuga os demónios, os disponha a todos a receber os últimos Sacramentos e a uma santa morte. Para seu conforto, demos-lhe as agonias de Jesus, os Seus beijos, as Suas lágrimas, as Suas chagas; cortemos os laços que os têm amarrados, façamos escutar a todos a palavra de perdão e lancemos tal confiança no coração, ao ponto de se lançarem nos braços de Jesus. Quando Jesus os julgar encontrá-los-á cobertos com o Seu Sangue, abandonados nos Seus braços e dará a todos o Seu perdão.

Ó Mãe, andemos mais um pouco; o Teu olhar olhe com amor a terra e se mova a compaixão de tantas pobres criaturas que precisam deste Sangue. Minha Mãe, sinto-me impulsionado, pelo olhar indagador de Jesus, a correr, porque quer almas, escuto os Seus gemidos no fundo do meu coração que me repetem: “Meu filho[1], ajuda-Me, dá-Me almas!”

Mas, ó Mãe, vê como a terra está cheia de almas que estão para cair no pecado e Jesus irrompe em pranto ao ver o seu Sangue sofrer novas profanações. Seria necessário um milagre para impedir a queda; por isso, dêmos-lhe o Sangue de Jesus para que encontrem n’Ele a força e a graça para não caírem no pecado.

Ao darmos mais um passo, ó Mãe, encontramos almas que já caíram na culpa, as quais quereriam uma mão para se levantarem. Jesus ama-as, mas olha-as horrorizado porque enlameadas, e a sua agonia torna-se mais intensa. Dêmos-lhe o Sangue de Jesus, para que encontrem nele a mão para se levantarem; Vês, ó Mãe, são almas que têm necessidade deste Sangue, almas mortas para a Graça; Oh, como é lastimável o seu estado! O Céu olha-as e chora de dor, a terra olha-as com horror, todos os elementos estão contra elas e quereriam destruí-las, porque inimigas do Criador. Ó Mãe, o Sangue de Jesus contém Vida, demos-lho também, a fim de que ao seu toque, estas almas ressurjam e ressurjam mais belas ao ponto de fazer sorrir todo o Céu e toda a terra.

Ó Mãe, giremos mais um pouco; vês, existem almas que trazem o selo da perdição, almas que pecam e fogem a Jesus, que ofendem e desesperam do seu perdão; são estes os novos Judas espalhados pela terra e que dilaceram aquele Coração tão amargurado. Dêmos-lhe o Sangue de Jesus, a fim de que este Sangue apague a marca da perdição e imprima neles a da salvação; lance nos seus corações tal confiança e amor depois da culpa, ao ponto de os fazer correr aos pés de Jesus e apertar aqueles pés divinos, para nunca mais se separarem.

Vês, ó Mãe, existem, também, almas que correm loucamente para a perdição e não existe ninguém que detenha a sua corrida. Coloquemos este Sangue à frente dos seus passos, a fim de que, ao toque, à luz e às vozes suplicantes dele, que as quer salvas, possam recuar e percorrer o caminho da salvação!

Ó Mãe, continuemos, a girar: vês, existem almas boas, almas inocentes nas quais Jesus encontra a Sua complacência e o repouso da Criação. Mas, as criaturas, à sua volta, encontram tantas ciladas e escândalos, que querem arrancar esta inocência e mudar a complacência e o repouso de Jesus em pranto e amargura, como se não tivessem em mira outra coisa senão aquela de causarem contínuos sofrimentos ao Seu Coração Divino.

 Portanto, como muro de defesa, selemos e rodeemos a sua inocência com o Sangue de Jesus, a fim de que a culpa não entre nelas; este, coloque em fuga quem as quer manchar e as conserve cândidas e puras, a fim de que Jesus encontre, nelas, toda a Sua complacência e o repouso da Criação e, por amor delas, tenha piedade de tantas outras pobres criaturas. Minha Mãe, metamos estas almas no Sangue de Jesus, liguemo-las e voltemos a ligá-las com o Santo Querer de Deus. Levemo-las aos Seus braços e, com as suaves cadeias do Seu Amor, liguemo-las ao Seu Coração, para suavizar as amarguras da Sua agonia mortal.

Ó Mãe, escuta, este Sangue grita e quer ainda mais almas; corramos juntos e vamos às regiões dos heréticos e infiéis. Quanto sofre Jesus nestas regiões! Ele, que é a Vida de todos, não recebe como retribuição nem sequer um pequeno acto de amor, não é reconhecido pelas Suas próprias criaturas. Ó Mãe, demos-lhe este Sangue, a fim de que afugente as trevas da ignorância e da heresia; faz-lhes compreender que têm uma alma e abre-lhes as portas do Céu. Depois, metamo-las todas no Sangue de Jesus, conduzamo-las ao redor d’Ele como tantos filhos órfãos e exilados, para que encontrem o seu Pai, e deste modo, Jesus sentir-se-á confortado na Sua acérrima agonia.

Mas, parece que Jesus ainda não está satisfeito, porque quer ainda mais almas. Ele sente que os agonizantes destas regiões lhe são arrebatados dos Seus braços, para irem cair no Inferno. Estas almas já estão para expirar e precipitarem-se no abismo; não há ninguém perto delas para as salvar; temos pouco tempo, estes são os últimos momentos e elas perder-se-ão, certamente! Não, ó Mãe, este Sangue não será derramado inutilmente por elas, portanto voemos depressa ao seu encontro, derramemos o Sangue de Jesus sobre as suas cabeças para que lhes sirva de baptismo e infunda nelas a Fé, a Esperança e o Amor.

Ó Mãe, aproxima-Te delas e supre a tudo o que lhes falta; antes, mostra-Te; no Teu rosto resplandece a beleza de Jesus, os Teus modos são todos semelhantes aos Seus e assim, vendo-Te, com toda a certeza, poderão conhecer a Jesus. Depois, estreita-as ao Teu Coração materno, infunde nelas a Vida de Jesus que Tu possuis e diz-lhes que, como Sua Mãe, queres que elas sejam felizes para sempre conTigo no Céu e assim, enquanto expiram, recebe-as nos Teus braços e faz com que dos Teus, passem para aqueles de Jesus; e se Jesus, segundo os direitos da Justiça, manifestar que não as quer receber, recorda-Lhe que o amor com o qual tas confiou aos pés da cruz, reclama os Teus direitos de Mãe. Deste modo, Ele não poderá resistir ao Teu amor e às Tuas orações e, ao contentar o Teu Coração, satisfará também os Seus ardentes desejos.

E, agora, ó Mãe, tomemos este Sangue e demo-lo a todos: aos aflitos, para que sejam confortados; aos pobres, para que sofram resignados a sua pobreza; aos tentados, para que obtenham a vitória; aos incrédulos, para que triunfe neles a virtude da Fé; aos blasfemadores, para que transformem as blasfémias em bênçãos; aos Sacerdotes, a fim de que compreendam a sua missão e sejam dignos Ministros de Jesus. Toca os seus lábios com este Sangue, para que não pronunciem palavras que não sejam para a glória de Deus; toca os seus pés, a fim de que os faça voar para irem em busca de almas para as levarem a Jesus.

Demos este Sangue aos governantes dos povos, para que se unam entre si e sintam mansidão e amor para com os próprios súbditos.

 Agora, voemos até ao Purgatório e demo-lo também às almas purgantes, porque elas muito choram e reclamam este Sangue, para a sua libertação. Não ouves, ó Mãe, não escutas os seus gemidos, os seus desejos ardentes de amor, as torturas, com as quais se sentem atraídas, continuamente, para o Sumo Bem? Vês como o próprio Jesus as quer purificar, imediatamente, para as ter conSigo; atrai-as com o Seu Amor e elas retribuem com contínuos anelos para com Ele; e enquanto se encontram na Sua presença, não podendo ainda suportar a pureza do olhar divino, são obrigadas a recuar e a cair novamente nas chamas!

Minha Mãe, desçamos a este cárcere profundo e, derramando este Sangue sobre elas, levemos-lhe a luz, acalmemos os seus desejos de amor, apaguemos o fogo que as queima, purifiquemos as suas manchas, e assim, livres de todas as penas, elas voarão para os braços do Sumo Bem. Demos este Sangue  às almas mais abandonadas, a fim de que encontrem nele todos os sufrágios que as criaturas lhes não dão; ó Mãe, demos este Sangue a todas, não privemos nenhuma dele, a fim de que todas, em virtude dele, encontrem alívio e libertação. Faz de Rainha nestas regiões de pranto e de lamentações, estende as Tuas mãos maternas e, uma a uma, tira-as para fora destas chamas ardentes e faz com que todas desprendam o seu voo rumo ao Céu. E, agora, voemos também nós até ao Céu, coloquemo-nos às portas eternas e permite-me, ó Mãe, que Te dê, também a Ti, este Sangue para Tua maior glória. Este Sangue Te inunde de nova luz e de novas alegrias, e faz com que esta luz desça, em favor, de todas as criaturas, para dar a todas graças de salvação.

Minha Mãe, dá-me também a mim  este Sangue; Tu sabes quanto necessito dele. Com as Tuas próprias mãos maternas, toca-me todo com este Sangue e, ao tocar-me, purifica as minhas manchas, cura as minhas feridas e enriquece a minha pobreza; faz com que este Sangue circule nas minhas veias e me dê de novo toda a Vida de Jesus. Desça sobre o meu coração e o transforme no Seu próprio Coração, me embeleze tanto, de tal forma que Jesus possa encontrar todas as Suas alegrias em mim.

Enfim, ó Mãe, entremos nas regiões celestes e demos este Sangue a todos os Santos e a todos os Anjos, para que possam receber maior glória, irromper em agradecimentos a Jesus e interceder por nós, para que em virtude deste Sangue os possamos alcançar.

E depois de termos dado este Sangue a todos, vamos de novo ter com Jesus. Anjos e Santos, vinde connosco; ah, Ele suspira pelas almas, quer que todas voltem a entrar na Sua Humanidade, para dar a todas os frutos do Seu Sangue; coloquemo-las em redor d’Ele e sentirá regressar a vida e a recompensa pela agonia tão dolorosa que sofreu.

E agora, Mãe Santa, chamemos todos os elementos para Lhe fazerem companhia, a fim de que também eles prestem honra a Jesus. Ó luz do sol, vem dissipar as trevas desta noite para confortar Jesus. Ó estrelas, com os vossos raios trémulos, descei do céu, vinde a confortar Jesus. Flores da terra, vinde com os vossos perfumes; pássaros, vinde com os vossos gorjeios; todos os elementos da terra, vinde a confortar Jesus. Vem, ó mar, a refrescar e a lavar Jesus. Ele é o nosso Criador, a nossa vida, o nosso tudo; vinde todos a confortá-Lo, a prestar-Lhe homenagem como nosso Senhor Soberano. Mas, ai, Jesus não procura luz, estrelas, flores e pássaros; Ele quer almas, almas!

Ó meu doce Bem, estão todos aqui, juntamente, comigo: a Tua querida Mãe está junto de Ti, repousa-Te nos Seus braços; assim, também Ela se sentirá confortada estreitando-Te ao peito, porque tomou grande parte na Tua dolorosa agonia; está aqui, também, a Madalena, a Maria e todas as almas amantes de todos os séculos. Ó Jesus, aceita-as e diz a todas uma palavra de perdão e de amor, une-as a todas no Teu Amor, a fim de que, nunca mais, nenhuma alma Te abandone!

Ai, mas, a mim parece-me que Tu dizes: “Ó filho, quantas almas, com o seu esforço, Me escapam e caem na ruína eterna! Como é que se poderá acalmar a minha dor, se Eu amo tanto uma só alma, quanto amo todas as almas juntas?”.

Meu Jesus agonizante, parece que a Tua Vida está prestes a terminar. Sinto a Tua respiração ofegante de agonia, os Teus lindos olhos velados pela morte que se avizinha, todos os Teus membros sem forças e, com frequência, parece-me que já não respiras. Parte-se-me o coração de dor. Abraço-Te e sinto-Te gelado; sacudo-Te e não dás sinal de vida! Jesus, estás morto? Ó Mãe aflita, Anjos do Céu, vinde a chorar Jesus e não permitais que eu continue a viver sem Ele. Ah, não posso! Abraço-O com mais força e sinto que volta a respirar, mas, de novo deixa de dar sinal de vida! Chamo-O: – “Jesus, Jesus, minha Vida, não morras!”

sinto o barulho dos Teus inimigos que vêm para Te prender; no estado em que Te encontras, quem Te defenderá? Mas, eis que, movendo-Te, como se passasses da morte à vida, olhas para mim e dizes: “Ó alma, estás aqui? Portanto, tu foste testemunha das Minhas dores e de todas as mortes que sofri? Fica a saber que, nestas três horas de acérrima agonia no Horto, encerrei em Mim todas as vidas das criaturas e sofri todas as suas penas e a sua própria morte, dando a cada uma delas a Minha própria Vida. As Minhas agonias sustentarão as suas, as Minhas amarguras e a Minha morte transformar-se-ão para elas em fonte de doçura e de vida. Quanto me custam as almas! Se pelo menos houvesse uma retribuição! Tu viste que, enquanto morria, voltava a respirar; eram as mortes das criaturas que Eu sentia em Mim!”.

Meu Jesus sofredor, já que quiseste encerrar em Ti, a minha vida e, portanto, também, a minha morte, rogo-Te, por esta Tua dolorosa agonia, que venhas a assistir-me no momento da minha morte. Eu dei-Te o meu coração como refúgio e descanso, os meus braços para Te sustentar e coloquei todo o meu ser à tua disposição; e oh, como me entregaria, de boa vontade, nas mãos dos Teus inimigos, para poder morrer no Teu lugar! Vem, ó Vida do meu coração, naquela hora a restituir-me aquilo que Te dei: a Tua companhia, o Teu Coração como leito e repouso, os Teus braços para me sustentarem, a Tua respiração ofegante para aliviar a minha respiração aflita, de modo que ao respirar, respirarei por meio da Tua respiração que, como ar purificador, me purificará de qualquer mancha e me preparará para entrar na bem-aventurança eterna.

Antes, ó meu amável Jesus, então darás à minha alma a Tua própria Santíssima Humanidade, de modo que, ao olhares para mim, me olharás através de Ti mesmo, e olhando para Ti mesmo, não encontrarás nada para me julgar; e depois banhar-me-ás no Teu Sangue, revestir-me-ás com a veste cândida da Tua Santíssima Vontade, acariciar-me-ás com o Teu Amor e, dando-me o derradeiro beijo, far-me-ás levantar voo da Terra rumo ao Céu. E isto que quero para mim, dá-o a todos os agonizantes; abraça-os todos no Teu amplexo de amor e, dando-lhes o beijo da união conTigo, salva-os a todos e não permitas que nenhum se perca!

Meu Bem aflito, ofereço-Te esta Hora santa em memória da Tua Paixão e da Tua Morte, para desarmar a justa cólera de Deus por causa de tantos pecados, pelo triunfo da Santa Igreja, pela conversão de todos os pecadores, pela paz entre os povos, especialmente pela nossa Pátria[2], pela nossa santificação e em sufrágio das almas do Purgatório.

Vejo que os Teus inimigos já estão perto e Tu tens de me deixar para ires ao seu encontro. Jesus, permite-me que Te ofereça todos os santos beijos da Tua Santíssima Mãe, deixa que beije os Teus lábios, que Judas, agora mesmo, beijará com o seu beijo infernal; que Te enxugue o Rosto banhado de sangue, sobre o qual, dentro em breve, choverão murros e escarros; abraço-me, fortemente, ao Teu Coração, não Te abandono, mas sigo-Te e Tu abençoa-me e assisti-me. Assim seja.

 

Reflexões práticas

Nesta terceira hora do Getsémani, Jesus pediu auxílio ao Céu, e eram tantas as Suas penas que pediu conforto, também, aos Seus discípulos. E nós, em qualquer circunstância, dor ou desventura, pedimos sempre ajuda ao Céu? E se também nos dirigimos às criaturas, fazemo-lo de maneira ordenada, junto de quem nos pode confortar santamente? Resignamo-nos, ao menos, se não recebemos aquele conforto que esperávamos, aproveitando a indiferença das criaturas para nos abandonarmos mais nos braços de Jesus? Ele foi confortado por um Anjo; e nós, podemos dizer que somos o Anjo de Jesus, estando junto d’Ele para O consolar e tomar parte das Suas amarguras? Mas, para fazermos, na verdade, de Anjos de Jesus, é necessário aceitar as penas, assim como Ele no-las envia, por isso, como penas divinas; só então, podemos ousar confortar um Deus tão amargurado; doutro modo, se aceitamos as penas em sentido humano, não nos podemos servir delas para consolar este Homem-Deus, e portanto não podemos fazer-Lhe de Anjos.

Nos sofrimentos que Jesus nos manda, parece que nos envia o cálice onde nós devemos colocar o fruto das mesmas, e estas penas, sofridas com amor e resignação, converter-se-ão em dulcíssimo néctar para Jesus. Em cada sofrimento, diremos: “Jesus chama-nos a sermos anjos em seu redor, quer as nossas consolações e, por isso, faz-nos tomar parte das Suas penas.

Jesus, meu Amor, nos meus sofrimentos procuro o Teu Coração como repouso e quero reparar as Tuas penas com as minhas, para as trocarmos juntos e eu ser o Teu anjo consolador.

 

 
 
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