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22/07/2017
Histórinhas
A Gruta
 
 
 

Porto Belo, SC, 18 de Fevereiro de 2017

 

A Gruta

 

- Nossa casa é bonita...

- Filho, nossa casa não é bonita – disse a mãe, ao ler a redação feita pelo filho – nossa casa é feia, de madeira velha, cheia de cupim, chove dentro...

- Mas mãe, sempre devemos dizer que nossa casa é bonita!

- Por que?

- Não sei porque. Mas acho que é porque a senhora é bonita, o pai é bonito, meus irmãos são bonitos...

- Pensando bem...

- E mãe, vê como tudo em redor da casa é bonito: o jardim com todas as flores que a senhora plantou; o bananal, o pomar com tantas frutas que o pai plantou; a horta com couves, cenouras, melancias, batatas. E tem as galinhas, mãe, os porcos...

- É! Nossa casa é bonita! Acho que vais ganhar nota 100 no boletim.

- Mas mãe, falta alguma coisa.

- O que falta, filho?

- Uma gruta! Uma gruta bem bonita no meio do pomar. Uma gruta para Nossa Senhora!

- É verdade! Bem que Nossa Senhora merece! Mas quem vai fazer?

- O pai! Ele sabe fazer! Ele fez o forno...

O forno de assar pão tinha uma forma abobadada e se parecia realmente com uma gruta.

- Pede para o pai! Acho que ele vai fazer.

O pai chegava do serviço pelas 15 horas, cansado do trabalho, das pedaladas de bicicleta – levava uma hora para chegar em casa – almoçava, tirava uma “soneca”, deitado no assoalho da sala, durante uns 20 minutos. Depois ia para o quintal. Sempre pedia para as crianças fazerem uma limonada e, enquanto servia, o rapaz pediu.

- Pai, faz uma gruta?

- Uma gruta? Para que?

- Para Nossa Senhora cuidar do nosso quintal, da nossa casa...

- Nossa Senhora já cuida de nós...

- Mas aí Ela vai ficar olhando tudo!

O pai ficou alguns instantes em silencio.

- Pai, a gente pode pegar tijolos lá na olaria velha do “Seu” Alois. Tem bastante pedaços lá, tijolos velhos...

- Tá! Então tu vais lá buscar!

- Eu vou!

- Mas, tens que pedir ao “Seu” Alois.

- Ai doeu, pai! Falar com “Seu” Alois? Tenho medo até de chegar perto dele!

- Tu pediste a gruta, tens que ajudar!

O rapaz foi, levando o velho e pesado carrinho de mão feito de madeira, por seu pai. Até a roda era de madeira!

A olaria ficava antes da casa do Sr. Alois e não custava nada pegar alguns restos de tijolos ali.

- Mas precisa pedir – o pai lhe tinha dito!

E foi procurar o dono, nos ranchos, na estrebaria.

Se escondeu: Alois estava colocando trato no cocho dos animais, e depois saiu em direção à máquina de moer cana, que ficava bem perto de onde o rapaz estava, que então se escondeu de novo.

- Te peguei – disse Alois – segurando e abraçando o menino.

O susto mereceu um grande “berro”!

O homem riu às gargalhadas e aos poucos, foi acalmado o menino.

- Que vieste fazer? O que queres pedir ao “Seu” Alois?

- É que... É que o pai quer fazer uma gruta.

- E o teu pai quer tijolos!

- É, mas podem ser pedaços.

- Hum! Pedaços é só lá embaixo na olaria. Mas aqui tem alguns inteiros que acho que vai dar...

- Que bom! São bem novinhos. O Pai vai gostar muito. Obrigado, “Seu” Alois.

E o homem, que parecia mau, mostrou para aquele menino do quanto o seu coração era bom!

- Já tem bastante! Mas se precisar mais pode vir buscar.

Colocou o carrinho na estrada, para facilitar ao menino, embora tivesse dúvida de que ele o poderia conduzir.

Confiante, o rapaz pegou o carrinho e o levou, até porque, “de morro abaixo todo o santo ajuda”. Mas quando terminou a descida, começou a sentir o peso, e já estava quase sem forças quando o “Correca” veio ajudar: pegou quatro tijolos nos braços e acenou para outros colegas fazerem o mesmo.

Quando chegou em casa, o pai brincou com o filho:

- Por que esta canseira toda? O carrinho está vazio!

Os amigos, em uníssono, disseram ao pai do rapaz:

- Mas “Seu” Antônio, o carrinho que o senhor fez é mais pesado do que todos os tijolos juntos!

- Obrigado, crianças! Vou fazer a gruta e a primeira oração será para vocês!

- Pro “Seu” Alois, pai, disse o menino.

- Pro “Seu” Alois!

  

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Fato mais ou menos semelhante aconteceria há 20 anos mais tarde:

 

Eu estava construindo a nossa primeira casinha num bairro bem distante de Blumenau, onde morávamos – Norma, Eu e nossas quatro crianças -  pouco conhecido e pouco habitado: um bairro novo.

Meu Pai Antônio, me ajudava na construção e assim, nos finais de semana, íamos de bicicleta para este trabalho. Num dia em que já voltávamos para casa, comentei com meu pai:

- Pai, este lugar é tão bonito. Acho que Norma e Eu vamos ser felizes aqui.

- Certamente, filho. É um lugar bonito, embora tão longe. Mas com o tempo poderá se tornar um grande bairro.

- Mas Pai, falta alguma coisa!

- O que?

- Uma Capela. Já pensou: Uma linda Capela para Nossa Senhora.

- Tu vais morar aqui! Podes fazer acontecer isso!

E de fato, assim que nos instalamos, iniciamos novenas nas famílias, orações nas casas...

Mas não permanecemos muito tempo ali e deixamos a casa alugada e fomos morar em outra cidade.

Dez anos depois, vendemos a casa para um grupo que desejava instalar uma Comunidade Católica!

Mais alguns anos adiante, ao passarmos pelo bairro, ficamos maravilhados: Sobre o nosso antigo terreno, estava erigida a Igreja da  Imaculada Conceição!

Hoje, Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição.

Bairro Bela Vista, na Divisa de Gaspar-Blumenau: um Bairro próspero, grande, lindo que nos deixa saudades.

Não falta mais nada ali. Amém!

Cláudio Heckert

 

 

 
 
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