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17/05/2008
LEITURA ORANTE DA PALAVRA
Meditação, Oração e Contemplação.
 
 
 

 

Se a Lectio respondia à pergunta: "Que diz o texto?", a Meditatio pretende responder à pergunta: "Que diz o texto, para mim?". A Lectio pretendia descobrir as correspondências entre o texto e os seus diferentes contextos, a mensagem que o texto dava aos fiéis do seu tempo. Desde então para cá, os contextos são completamente diferentes, os conflitos e problemas são outros. Mas, como Palavra de Deus que é, a Bíblia foi escrita também para o Povo de Deus de hoje; o texto é portador de valores que não caducam na História nem envelhecem com o tempo. Por isso, a Meditatio é, antes de mais, uma atualização do texto, para mim, um quedar-se nos valores permanentes do texto. Ainda segundo Guigo II, " a meditação é uma ação da mente que procura com ardor, sob a guia da razão, o conhecimento da verdade escondida" .

 -Que semelhanças e diferenças existem entre as circunstâncias do texto e as de hoje?

 -Que mudança de comportamento me inspira no aqui e agora da minha vida pessoal e social?...

 Este ruminar a Palavra faz que ela se torne a "espada" que julga e corta (Heb 4,12-13). A Meditatio faz que a Palavra deite abaixo máscaras, preconceitos, alienações nas quais nos encontramos muitas vezes. Cassiano dizia, a este propósito: "Instruídos pelo que nós próprios sentimos, já não vemos o texto apenas como uma coisa que escutamos, mas como algo que experimentamos e tocamos com as nossas próprias mãos; não como uma história estranha e desconhecida, mas como algo que fazemos brotar do mais profundo de nós próprios, à imagem dos sentimentos que fazem parte do nosso próprio ser.

 

 Pela Meditatio, o Espírito comunica-se a nós, inspira-nos, dá-nos os mesmos sentimentos de Jesus Cristo (Fil 2,5), leva-nos à Verdade total (Jo 16,13), deixa-nos compreender que, sem Ele, nada podemos fazer (Jo 15,5). O Espírito que enche toda a terra enche também o nosso coração (Sab 1,7). É Ele o mesmo Espírito que falava aos profetas e que fará de nós os profetas de hoje, pela Sua Palavra. Mas a Meditatio, para além de ser uma atividade individual, é também comunitária. O sentido mais profundo e total da Palavra vem da experiência comunitária e da oração em grupo. Daí a necessidade de levar a Lectio divina também aos grupos e às famílias.

 

suplicar, louvar, orar.

 Devemos, no entanto, afirmar que este momento de Oração não impede que haja oração nas outras duas etapas anteriores. Porque, na Lectio Divina, as etapas não são estanques nem cronologicamente definidas. As quatro etapas são quatro atitudes que têm momentos típicos, mas não únicos para se manifestar. No princípio da Leitura invoca-se o Espírito do Senhor da Palavra; a oração está presente desde o princípio e a Lectio, por exemplo, adquire maior claridade à medida que as etapas avançam. A Meditação está já cheia de oração. Mas este é o momento em que se manifesta mais profundamente a Oração.

 Esta oração, essencialmente espontânea, pode assumir várias formas: louvor, petição, súplica de perdão... e deve refletir sempre uma dimensão comunitária. Pode utilizar orações já feitas, sobretudo Salmos. Estes eram, na Idade Média, aprendidos de cor e alimentavam a oração pessoal do monge. Por este motivo, foram distribuídos ao longo das diferentes "horas" do dia. Os tempos são outros, mas o método pode ser hoje semelhante: guardar uma frase que alimente o coração e encha a memória, ao longo do dia.

 A prática pastoral tem separado muitas vezes estes dois aspectos. Certos movimentos espiritualistas empenham-se na oração, mas não fazem o mesmo na vida, na atitude crítica e na intervenção social. Isto acontece por uma deficiente leitura do texto bíblico: este é desligado do seu contexto, o que leva a um moralismo sem bases, a um certo fundamentalismo e individualismo alienantes. Por isso, a sua meditação e oração não estão fundamentadas nem no texto bíblico nem na realidade da vida de hoje. No extremo oposto, encontram-se certos movimentos de libertação, que se alimentam do Evangelho. Fazem uma boa Leitura, mas falta-lhes a fé perante muitos problemas da realidade humana. Acham que o tempo da Oração é tempo perdido e o importante é a intervenção direta e imediata na sociedade.

 IV. Contemplatio (contemplação) discernir, agir, saborear

 O processo recomeça sem nunca acabar. Porque há sempre lugar para uma leitura, meditação e oração mais profundas. É aqui que se situa a Contemplatio: um saborear, degustar, um novo modo de ver a vida e o mundo, que são vistos a partir de cima, a partir dos critérios de Deus. Este novo olhar de Deus no orante é a Contemplatio. É olhar, saborear e agir novos. S. Agostinho diz-nos que, pela leitura da Palavra, Deus faz-nos contemplar e ver o mundo de modo diferente e leva-nos a transformá-lo, para que ele se torne, de novo, uma teofania. A Contemplação leva o orante a olhar mais para o mundo, de modo a poder encontrar nele toda a profundidade dos acontecimentos e a presença escondida de Deus.

Propostas simples de Lectio Divina  

- Proclamação da Palavra (breve);

 - breve partilha sobre o que o Espírito comunicou a cada um no silêncio

 Este não será um "tempo perdido" num grupo de catequistas ou outro. Será o tempo mais útil, porque muito ajudará no desenvolvimento dos trabalhos.

  * Este mesmo método poderá seguir-se na preparação dos sacramentos (da reconciliação ou outro) ou mesmo no exame de consciência diário. Isso levar-nos-á a ver na Palavra de Deus a medida de confronto da nossa vida.

Desconhecemos o autor. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
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