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16/10/2008
De quem era a criança?
Aconteceu em 1958, no interior do Paraná
 
 
 

 

 Gerações do Mal - Ermezilda

 A Fazenda era muito linda: Pinheirais, cachoeiras, lagoas, riachos, pastagens, plantações, ruas ladeadas de flores das mais diversas, por entre árvores gigantes. Aves e animais, andavam juntos e se deliciavam com a relva espessa e saborosa dos campos: cavalos, vacas, porcos, cabras, ovelhas, galinhas, perus, marrecos, mas a especialidade da Fazenda eram as ovelhas, e estas estavam por toda parte... Havia também as aves selvagens de todas as espécies, e animais como: macacos, esquilos, javalis, sem contar os domésticos, como gatos, cachorros...

E as construções: as casas do caseiro, do chacareiro, dos domésticos, as oficinas, os estábulos, a serraria, a olaria, o moinho. E a casa grande era a do fazendeiro: uma imponente casa que dominava a todas as outras construções e realmente era como um cartão de visitas: tinha até torre!

- Bem! Não é bem uma torre... Mas é como se fosse...

Uma casa antiga, linda, construída em terreno um pouco mais elevado... Mas estava deserta! Ali não havia ninguém!

- Por isso vocês estão aqui! Ninguém consegue morar nesta casa já há algum tempo, pois o demônio não deixa! Vocês estão aqui para exorcizar o lugar! O poço: não se pode tirar água dele, pois quando o balde chega quase em cima, é virado e toda a água volta ao fundo. Poderia acontecer que o gancho “engatasse” nas bordas, mas já verificamos isso. Além disso, a pessoa que tenta puxar a água, leva sempre uma surra de pedras. Poderia ser alguém, que estivesse por perto e aprontasse brincadeiras de mau gosto, mas, ovelhas e cachorros não sabem atirar pedras. Usa-se então a água da bica ou do córrego, mas estes ficam distantes, e, quase sempre, ao chegar a casa, o balde está vazio! O “diabo” quer que morramos de sede! O interior da casa está todo “lambuzado” e desarrumado: os móveis fora de lugar, vidros quebrados, enfim, não se consegue viver ali, por isso a abandonamos... Estamos com medo!

O Padre que nos levou procurava nos dar coragem:

- Deus é mais forte e vamos vencer estes demônios...

Entramos na casa e já uma chuva de pedras entrou pelas janelas. Mas, coisa aterrorizante: as janelas, tipo guilhotina, estavam abertas, mas as pedras entravam pelos vidros da parte superior, que estava fechada, portanto, janela dupla. E, ainda mais inacreditável: as pedras vinham da rua e quebravam os vidros de dentro...

- É realmente assustador! Mas vamos vencer, filhinhos, não tenham medo!

O Padre Lemos improvisou um altar sobre uma velha mesa: cobriu-a com uma toalha branca, colocou quatro velas com castiçais, e, de joelhos pusemo-nos a rezar...

Gritos por toda parte feriam nossos ouvidos e quase não podíamos escutar nossas próprias vozes. O Padre gritava cada vez mais alto:

- Não se assustem! Continuem rezando! Fiquem de mãos dadas! Não escutem, não escutem!

E, ao iniciar a Oração do Exorcismo, propriamente dita, as velas começaram a dançar: não as chamas, mas as velas, que saiam dos castiçais e dançavam sobre a mesa! Aterrorizante! Pareciam pequenos demônios encapuzados, gritando e dançando a dança da morte! Nós também gritávamos, mas nossos gritos eram de medo!

- Não tenham medo! Deus é mais forte e vencerá!

Houve um pequeno período de silêncio, e o alívio tomou conta de nós! Mas só por um momento, e gargalhadas estrondosas pareciam mover a casa e as velas foram atiradas contra a parede, e uma a uma, se espatifaram com o choque!

- Não se assustem – pedia o padre – que tentava controlar a situação e nos controlar... e quem sabe, controlar o seu próprio medo!

- Não tenham medo, continuem rezando e não larguem as mãos!

 Houve mais um instante de silêncio e em seguida, simultaneamente, das três escadas que davam acesso ao piso superior, desabaram varias “quartas” cheias de milho, sobre nós! E várias “quartas” foram derramadas sobre nós!

(“Quarta” é um a caixa de madeira que serve como medida para três ou quatro quilos de grãos... )

- Chega- gritou o Padre Lemos: chega! Vocês, espíritos imundos já brincaram demais com estas crianças! Chega! Venham agora sobre mim! Venham imundos empestados, venham e enfrentem-me!

O Padre bradava com os braços erguidos tendo em suas mãos o Crucifixo e o Santo Rosário!

De repente, o silêncio! E um “fedor” horrível invadiu toda a casa!

- Cubram o nariz com os lenços e não tenham medo!

Uma brisa começou a soprar. Um doce ar, perfumado pelas flores do campo! As velas retornaram ao lugar!

- Os anjos já nos ajudam! (E o Padre nos chama à rua) – Ainda há uma coisa a fazer!

E, ao redor do poço, reiniciou a oração e, uma gritaria começou a acontecer no fundo do poço! Alguma coisa “boiou” na água! O balde foi lançado ao fundo e desta vez, voltou cheio!

- Um crânio! Uma criança que não chegou a nascer!

- Por isso quiseste ir à França? Disse Vespasiano à sua esposa! Estavas grávida, abortaste e não quiseste que ninguém soubesse...

- Não! Não sou a mãe! Fui à França porque não me sentia bem aqui. Uma dor profunda em meu ventre parecia me matar e achei que em Paris o ar me faria melhor... Mas não consegui permanecer lá; Algo mais forte me induziu à voltar ao Brasil e então pedi um Padre para abençoar isto tudo aqui... E agora, quero continuar aqui. Me sinto livre! Estou livre! Completamente livre!

- Tua vovó havia feito isto- disse o Padre – Jogara o feto no poço e amaldiçoara as gerações futuras e também este lugar!

 - Aqui não nascerá mais ninguém – dissera ela! – Não nascerá mais nada!E, por isso, a Fazenda já estava ficando deserta!

- Mas eu garanto, padre: vou rezar muito e minha vovó ainda ganhará o Céu, seja lá onde ela estiver, e esta fazenda produzira ainda muitos frutos e aqui brincarão as minhas crianças!

A vovó Ermezilda, no Purgatório desde 13 de Maio de 1917, foi para o Céu em 13 de Maio de 1958. Ao desenterrá-la, para translado a outro túmulo, um objeto foi encontrado completamente intacto, sobre seu corpo: uma pequena imagem de Nossa Senhora do Carmo- Rainha do Purgatório, junto ao Santo Terço!

O Padre exorcista viveu no Paraná por muitos anos e faleceu em 1975. Está no Céu. Sua coragem e seu amor servem de exemplo a muitos sacerdotes que hoje procuram seguir seus passos...

- Afinal, de quem era a criança?

- Padre Lemos guarda no Céu , este segredo de confissão! Amém!

 Cláudio - Porto Belo (SC), 01 de outubro de 2.008

 

 
 
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