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25/03/2007
Legítima defesa - Primeira parte
 
 
 

    A mulher me procurou para orientações e orações de cura e libertação, ou de cura entre gerações. Muito nervosa, a princípio não conseguia se expressar e tive de ajudá-la, fazendo algumas perguntas de ordem geral, como: onde mora, tem família, trabalha, está doente, etc., aproveitando também para falar de nosso trabalho e missão, e assim a mulher, aos poucos começou a dialogar.

“Eu matei o meu marido! Faz 15 anos hoje! Ele era um bêbado, que não queria trabalhar e vivia maltratando nossos filhos e a mim. Eu tenho uma “roça”, um sítio e trabalho sempre. Serviço pesado: arrumar a terra, plantar, capinar, cuidar da criação, cuidar da casa, dos filhos. Meu serviço não tem descanso... e ele nunca ajudava. Só bebia, ficava dias e dias fora de casa, e quando vinha, ameaçava de matar meus filhos e eu. Eu tinha muito medo e sempre escondia meu filho menor, porque era o que estava sempre mais perto de mim. Os outros já eram grandes e podiam se defender. Ele parecia um demônio... e agora sei que era!” “Um dia ele foi trabalhar de motorista na cidade. Motorista de ônibus. Nunca trouxe nenhum dinheiro para casa, mas eu não me importava, porque assim eu podia trabalhar sossegada, pelo menos nos dias que ele não vinha em casa. Trabalhei como louca numa safra de fumo: sozinha consegui plantar, colher e vender e quando ele veio em casa, eu pedi para ele comprar uma casa na cidade – que ele sempre queria – pois quem sabe lá poderíamos viver melhor e em paz. Ele levou o dinheiro e na vez que veio, disse que não tinha encontrado uma casa boa e então colocara o dinheiro na Caixa Econômica, até encontrar a casa. Ficou pouco tempo no emprego, pois bebia muito e nossa vida era como um inferno: ele ameaçava e um dia conseguiu me machucar no peito com uma faca. ( A mulher me mostrou uma grande cicatriz em seu lado direito do peito.) Eu consegui me defender daquela vez, mas cada vez o medo aumentava mais. Na outra safra de fumo – no ano seguinte – peguei o dinheiro da venda e quis juntar ao outro do ano passado que estava na Caixa para comprar uma casa melhor na cidade, mas não tinha mais dinheiro: ele tinha gasto com mulheres e cachaça... Eu fiquei sem saber o que fazer e muitas vezes tinha mandado ele embora, mas não ia: sempre voltava. E sempre bêbado, fedorento, violento... Um dia de madrugada ele chegou, caindo pelo chão como sempre, dizendo palavrões e ameaçando meus filhos e eu com um facão... Sem pensar duas vezes, peguei no enxadão e bati na cabeça dele, até matar... Eu estava livre dele e meus filhos estavam agora em segurança! Os vizinhos vieram... gente da família dele e até a mãe dele vieram e tudo virou um reboliço! O engraçado é que eu não tive remorso! E quis me apresentar à policia. Eu mesma me dirigi a pé, desde o sítio até a cidade, até achar um telefone e chamei a policia. Pedi aos policiais para levarem o corpo e eu não queria saber nem onde o enterrariam, mas não poderiam enterrar no nosso cemitério. (Cemitério local, neste sítio) Fiquei na Policia até vir o delegado de manhã, mas ninguém deu queixa de mim! Nem a família dele! Ninguém registrou queixa! Então o delegado me mandou embora! Eu pude cuidar de meus filhos, de minha roça e hoje estou bem: meu sítio é muito bonito e sou feliz com meus filhos, que NUNCA quiseram mais falar sobre o pai deles. Isto faz 15 anos e agora estou aqui procurando uma casa para morar fora do sitio, porque já sou mais velha e acho que mereço descansar. Meus filhos estão todos trabalhando e morando na cidade e eles me convidam para vir também. Agora, “Seu” Cláudio, eu pergunto: será que Deus me perdoou? A lei dos homens me perdoou, mas será que não vou ao inferno por causa deste crime? Eu já me confessei e o Padre também me perdoou, mas Deus será que me perdoou?”
Eu não disse nada a mulher, ou pelo menos não lhe dei a resposta. Fiquei raciocinando: Nesta história, quem merece o inferno: a assassina ou o assassinado?
A resposta veio depois, mas isto já é outra história...
 
Continua...
 
 
 
 
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