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09/04/2008
Ainda sobre revelações privadas
Entenda porquê alguns autores divergem em suas afirmações
 
 
 

 

O texto seguinte é retirado do lirvo \'The Life of Mary as seen by the Mystics\'; livro este que traz uma compilação das visões e revelações feitas à Beata Anna C. Emmerich, Beata Maria de Agreda, Santa Brígida da Suécia e à Santa Isabel de Schoenau:

 O breve esboço que se segue do assunto é derivado de uma magistral análise do trabalho do Rev. Augustin Poutain, S.J., As Graças da Oração Interior (St. Louis: B. Herder, 1912), Parte IV, “Revelações e Visões.”

Primeiro e mais importante de tudo, nós sempre temos que fazer uma distinção exata entre: (1) a Revelação pública e universal, divinamente garantida, que está encerrada na Bíblia e na Tradição Apostólica da Igreja, e (2) as numerosas revelações privadas ou especiais de cristãos santos, homens e mulheres. A primeira veio ao seu fim com a pregação dos Apóstolos e é uma questão de fé para todos os católicos; enquanto que a segunda tem-se ocorrido por toda a história da Igreja e não se exige uma crença, mesmo quando aprovadas. “Pouco importa se alguém acredita ou não nas revelações de Santa Brígida ou outras de outros santos; estas coisas não têm nada a ver com a Fé.” “Mesmo quando a Igreja as aprova... elas não são para serem usadas como debates determinantes de história... filosofia, ou teologia...”(9)

 Em seguida, temos que entender porquê é possível que, os escritos ou revelações de alguns místicos santos, têm, ocasionalmente, contido pequenas erros ou detalhes que não concordam com similares considerações de outros místicos igualmente santos. Isto é observado especialmente quando suas visões representam cenas históricas, como a vida e morte de Jesus Cristo e de Sua Mãe. Por exemplo, Santa Brígida e Maria de Agreda diferem em relação a vários detalhes da Natividade... E todas as três [as duas citadas acima e a Beata Anna C. Emmerich] divergem com respeito ao número de anos que a Bendita Virgem viveu após a Crucificação.

 Isto não significa que em cada caso somente uma mística viu corretamente e as outras se equivocaram. Pois, como o Padre Poulain muito sabiamente explica – e a importância do enunciado para o nosso trabalho não pode ser mais enfatizada: “Quando as visões representam cenas históricas... frequentemente elas têm uma semelhança próxima e provável apenas... É um erro atribuir-lhes uma absoluta exatidão... De fato, muitos santos acreditaram que o evento ocorreu exatamente como eles o viram. Mas Deus não nos engana quando Ele modifica certos detalhes. Se Ele ligasse a Si mesmo à absoluta exatidão nestes assuntos, em breve teríamos que procurar satisfazer-nos com as visões um ocioso desejo pela erudição em história ou arqueologia. Ele tem um nobre objetivo, que é a santificação das almas, e estimular nelas um amor ao sofrimento de Jesus. Ele é como um pintor que, para excitar a nossa piedade, está contente a pintar cenas em sua própria maneira, mas sem afastar demais da verdade. (Este argumento não pode ser aplicado aos livros históricos da Bíblia.)... Deus tem outra razão para modificar certos detalhes. Às vezes Ele adiciona a elas uma cena histórica para salientar o significado secreto do mistério. Os verdadeiros espectadores viram nada similar... Vemos então, que é imprudente procurar refazer a história pela ajuda das revelações dos santos.”(10)

 E em seu artigo sobre o mesmo assunto na Enciclopédia Católica, o Padre Poulain adiciona: “Uma visão não precisa garantir a sua exatidão em cada detalhe. Deveria assim ser cauteloso de se concluir, sem análise, que as revelações são para serem rejeitadas... Muito menos deveria suspeitar-se que os santos foram sempre ou muitas vezes ludibriados em sua visão. Ao contrário, tal decepção é rara, e normalmente em apenas questões sem importância...”(11)

 Em seu tratado da teologia mística, Padre Poulain também lista as seguintes possíveis causas de erros nas revelações privadas: a mente humana pode misturar a sua própria ação com a ação divina numa certa medida, assoprando algumas de suas próprias ou preconcebidas idéias; uma verdadeira revelação pode subseqüentemente ser alterada quando o seu receptor recorda-a após um intervalo de tempo, ou o secretário do místico pode não escrever ou editá-la com perfeita fidelidade; e finalmente um texto impresso pode ser uma versão incompleta ou uma tradução inexata do manuscrito original. (12)

 Podemos então conceder, com o sábio Padre Herbert Thurston, S.J., que ‘parece impossível lidar com as visões de Anna Catarina [Emmerich] – ou, realmente, quaisquer outras visões similares – como fontes que podem contribuir de forma confiante para o nosso conhecimento de história passada.’”(13)

 Qual então é o valor das melhores revelações privadas? O famoso Dom Prosper Gréranger, O.S.S., abade de Solesnes e pioneiro da restauração litúrgica moderna, resumiu a antiga compreensão de resposta da Santa Mãe Igreja para esta questão quando ele escreveu: “Revelações privadas... são poderosos meios de fortalecer e aumentar os sentimentos cristãos.”(14) Pois, de acordo com seu biógrafo, “no ensinamento de Dom Guéranger; as revelações privadas, mesmo que o elemento humano possa entrar em sua composição com o elemento revelado, são um dos canais pelos quais, a edificação e o sobrenatural penetra entre os fieis cristãos.”(15)

 Os seguintes comentários sobre este assunto por Dom Guérenger são significantes e relevantes:

“Em todos os períodos a Igreja... teve, em seu seio, almas às quais apraz Deus comunicar luzes extraordinárias, das quais Ele deixa cair alguns raios sobre a comunidade dos fiéis... O que conta para o cristão que deseja conhecer as coisas de Deus na medida que é permitida a nós nessa vida, é saber que além do ensinamento ordinariamente transmitido a todos os filhos da Igreja, existe também certas luzes que Deus comunica para almas que Ele escolheu, e que essas luzes penetra através das nuvens, quando Ele assim determina, de tal modo que elas estendem-se em todo lugar para a consolação de corações simples e também para ser uma certa provação para os que são sábios em sua própria opinião... Aqueles a quem o vidente comunica o que ele tem aprendido de uma fonte divina, sendo reduzido a um humano e falível intermediário, precisam dar apenas aquele assentimento que nós damos para prováveis matérias, um assentimento que nós chamamos de ‘fé piedosa’. Sem dúvida isto [as revelações privadas] é pouco, se considerarmos a invencível certeza de Fé; todavia é muito, se pensarmos sobre as escuridões que nos cercam.”

 Apesar de reconhecer a possibilidade de imperfeições humanas nas revelações privadas, Dom Guérenger insiste no valor espiritual dos melhores exemplos nesta psicológica análise de mestre:

 “Mas sempre ficará aquele tom sobre-humano, suave e forte ao mesmo tempo, um eco das palavras divinas que ressoou na alma, aquele entusiasmo que penetra na mente do leitor e cedo o obriga a dizer: ‘a fonte disto não é humana.’ Enquanto lemos, nosso coração lentamente começa a queimar, nossa alma sente desejos pela virtude que até então ela não experimentou, os mistérios de fé aparecem mais luminosos para nós, pouco a pouco o mundo e suas esperanças desaparecem, e o desejo pelas coisas do Céu, que parecia ter cochilado em nós, desperta-se com novo fervor.”(16)

 Bruno Venturim Bento

 

 
 
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