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11/06/2008
Sobre o Celibato Sacerdotal - Conclusão
Como compreender o celibato sacerdotal, hoje?
 
 
 

 

O homem não pode viver sadiamente sem manter relações sexuais...

           É falsa esta afirmação. Falsa, em primeiro lugar, do ponto de vista natural, pois a própria ciência e a experiência demonstram o contrário, oferecendo-nos inúmeros exemplos de celibatários (homens e mulheres) nos quais a natureza humana atingiu altíssimo nível de perfeição. Recordam-se tantos Santos da nossa Igreja; considera-se a estatura moral das pessoas como João Paulo II, João XXIII, Pio XII, Paulo VI, Terezinha do Menino Jesus, Tereza de Calcutá e tantos outros. Seria uma aberração da inteligência e uma enorme desonestidade afirmar que a vida de tais pessoas não era humanamente “sadia”.

            É falsa também aquela afirmação, sob o ponto de vista religioso, pois Deus prescreve, no sexto e nono mandamentos, a pureza para todos, todos, conforme o seu estado; e a continência perfeita para todos aqueles que vivem fora de um matrimonio válido. Deus não manda o impossível e, menos ainda, o que é “nocivo” à natureza humana. Na observância da Lei de Deus encontra-se a perfeição máxima do ser humano. O Concílio Vaticano II afirma: “Tenham todos presente que a profissão dos conselhos evangélicos não constitui um obstáculo ao verdadeiro desenvolvimento da personalidade humana, mas por sua natureza lhe traz antes amplas vantagens, embora importe na renuncia de bens que indubitavelmente merecem “apreço”.

 É necessário tomar algum remédio ou chá para não sentir desejos sexuais?

           O “chá” oferecido pela Igreja para manter-se fiel ao sexto e nono mandamentos e, especificamente, às obrigações do celibato, tem os seguintes “ingredientes”: ORAÇÃO, SACRAMENTOS E ASCESE. Este tema é amplamente desenvolvido nos documentos citados na resposta n. 2 e em muitos outros. Em resumo, pode-se dizer o seguinte:

            ORAÇÃO: “Sem uma própria, íntima e contínua vida de oração, de fé, de caridade, não é possível conservar-se cristão” . Todo fiel seguidor de Jesus deve esforçar-se por adquirir o hábito da oração. Tratando-se de uma pessoa consagrada, esta necessidade se torna mais urgente. Para manter sempre a vida a motivação pela vida consagrada (através do celibato), requer-se um especial “estilo de vida, que se caracteriza, antes de tudo, por uma profunda intimidade com Cristo e também pela devoção à SS. Virgem Maria e demais práticas de piedade. Quem se consagrou pelo celibato deveria repetir com São Paulo: eu fui conquistado (“fisgado”) por Cristo Jesus. O que antes era para mim lucro, eu agora o considero como perda, como lixo, como esterco... ao compará-lo com a excelência do conhecimento de Cristo Jesus meu Senhor, por Quem eu perdi tudo, para ganhar a Cristo a ser achado nele... (cf Fl 3, 4-12).

            SACRAMENTO DA CONFISSÃO: É impossível manter-se na graça de Deus e conservar a pureza interior e exterior sem receber dignamente e com freqüência os sacramentos da confissão e da comunhão. Todo seminarista tem obrigação grave de deixar-se dirigir e orientar por um idôneo confessor ou diretor espiritual, que o ajude na tarefa importantíssima de discernimento sobre a idoneidade pra abraçar o celibato eclesiástico.

            A este propósito, declarou, recentemente, o Papa João Paulo II: “De maneira privilegiada estes critérios orientam os sacerdotes confessores e diretores espirituais no tratamento dos candidatos ao sacerdócio e à vida consagrada. O sacramento da Penitência é o instrumento principal para o discernimento vocacional”.

            Depois de ordenado, o padre deve estar sempre preparado espiritualmente a realizar ações sagradas (ouvir confissões, administrar outros sacramentos, celebrar a Santa Missa, etc.), que exigem dele o estado de graça. É justamente no seminário que, dedicando-se à oração, recebendo os sacramentos, praticando a ascese, ele adquire esses bons hábitos, os quais deverão caracterizar toda a sua vida. Se algum sacerdote tivesse a infelicidade de viver habitualmente em estado de pecado grave, estaria continuamente cometendo sacrilégios no exercício do seu ministério, o que, provavelmente, causaria distúrbios espirituais ou psíquicos...

            Esses bons hábitos (ou virtudes) adquiridos no seminário devem durar e aperfeiçoar-se por toda a vida. Especialmente quanto ao sacramento da confissão o Santo Padre João Paulo II dirigiu aos sacerdotes a seguinte exortação: “E por fim, está-me particularmente a peito fazer uma última consideração que nos diz respeito a todos nós Sacerdotes, que somos os ministros do Sacramento da Penitência, mas que somos também – e devemos sê-lo sempre – os beneficiários. A vida espiritual e pastoral do sacerdote, como a dos seus irmãos e irmãs leigos e religiosos, depende, na sua qualidade e no seu fervor, da prática pessoal assídua e conscienciosa do Sacramento da Penitência.

            A celebração da Eucaristia e o ministério dos Sacramentos, o zelo pastoral, a relação com os fieis, a comunhão com os irmãos Sacerdotes, a colaboração com o Bispo, a vida de oração, uma palavra, toda a existência sacerdotal sofre inexorável decadência, se lhe falta a negligencia ou por qualquer outro motivo o recurso, periódico e inspirado por fé autentica e devoção, ao Sacramento da Penitencia. Num sacerdote que deixasse de se confessar ou se confessasse mal, o seu ser padre e o exercício do seu Sacerdócio bem depressa se ressentiriam e disso.

            Mas acrescento também que, até para ser bom e eficaz ministro da Penitencia, o Sacerdote precisa recorrer à fonte da graça e santidade presente neste Sacramento. Nós Sacerdotes, com base na nossa experiência pessoal, bem podemos dizer que na medida em que procuramos recorrer ao Sacramento da Penitência e nos aproximamos dele com freqüência e com boas disposições, desempenhamos melhor o nosso próprio ministério de confessores e melhor asseguramos aos penitentes o seu benefício. De outro modo, este ministério perderia muito da sua eficácia, se de alguma maneira deixássemos de ser bons penitentes. Tal é lógica interna deste grande Sacramento. Ele convida-nos, a todos nós sacerdotes de Cristo, a uma renovada atenção à nossa confissão pessoal”.

            Esta mesma exortação o Santo Padre já repetiu ao menos outras duas vezes.

            EUCARISTIA: a participação digna e frutuosa no SS. Sacramento da Eucaristia é o meio mais eficaz para adquirir e conservar todas as virtudes. Muitos Santos, na História da Igreja, se santificaram concentrado toda a sua vida espiritual na Eucaristia. Todos os candidatos ao sacerdócio devem procurar progredir na devoção à Eucaristia, pensando no futuro, quando, pela ordenação, receberão esse poder único de celebrar a Santa missa, de tornar presente e atual, em benefício de toda a humanidade, o Ministério da Redenção. Esta realidade levou o Cardeal Mercier a dizer: “O SACERDOTE FAZ A EUCARISTIA E A EUCARISTIA FAZ O SACERDOTE”

            ASCESE: Todo ser humano – e, mais ainda, todo cristão – deve dirigir os instintos corporais e não ser arrastado por eles. Para isso, se requer a prática da ascese, isto é, mortificação dos sentidos externos e internos,o controle das paixões desordenadas. Quem quiser seguir o ensinamento do Evangelho e ser discípulo de Jesus deve  necessariamente impor-se uma disciplina espiritual .O papa Paulo VI diz que, dos candidatos à vida celibatária e daquelas que já abraçaram o celibato , requer-se uma ascese mais rigorosa do que a que se pede aos simples fiéis .Eis suas palavras: “Os jovens deverão convencer-se de que não podem percorrer o difícil caminho do aspirante ao sacerdócio, sem uma ascese particular e própria, superior á que se pede aos demais fiéis. Será ascese severa, mas não sufocante, exercício assíduo e meditado daquelas virtudes que fazem do homem um sacerdote: abnegação de si mesmo no mais alto grau-condição essencial para o seguimento de Cristo (Mt 16,24;Jo 12,25); humildade e obediência como expressão de verdade interior e de liberdade ordenada; prudência e justiça fortaleza e temperança, virtudes sem as quais não pode existir vida religiosa verdadeira e profunda; sentido de responsabilidade, de fidelidade e de lealdade no assumir das próprias obrigações; desprendimento e espírito de pobreza, que dão tom e vigor à liberdade evangélica;castidade conquistada com a perseverança e de harmonia com todas as outras virtudes naturais e sobrenaturais; contato sereno e seguro com o mundo a cujo serviço o candidato se irá dedicar por Cristo e por seu reino.

          Assim, o aspirante ao sacerdócio adquirirá com o auxilio da divina graça personalidade equilibrada, forte e madura, síntese de elementos naturais e adquiridos, harmonia de todas as faculdades à luz da fé e da íntima união com Cristo que o escolheu para si e para o ministério da salvação do mundo” .Dirigindo-se especificamente aos sacerdotes, diz o mesmo Papa: ``Para viver do Espírito e conformar-se com Ele, a vida sacerdotal exige intensidade espiritual genuína e segura, ascética interior e exterior verdadeiramente viril. Pois quem pertence a Cristo por um título especial crucificou n’Ele e por Ele a própria carne com as paixões e concupiscências (GI5,24), não tenhais receio de enfrentar, por isso, duras e contínuas provas (cf.1Cor9,26-27).Assim, poderá o ministro de Cristo manifestar melhor ao mundo os frutos do Espírito, que são:’caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, longanimidade, mansidão, fidelidade, modéstia, moderação e castidade’ (GI5,22-23)´´57.

            A ciência e a experiência nos demonstra que todo homem normal reage, naturalmente, diante de estímulos sexuais. Quem diz que permanece frio ou indiferente diante de tais estímulos, ou está mentindo ou é anormal. É, portanto, uma utopia pretender viver a continência perfeita e, simultaneamente, expor-se a todo tipo de estímulos, como olhares impuros, leituras amorais, espetáculos indecentes, etc. Santo Agostinho disse: ``Não digais que tendes almas puras se tendes olhos impuros, porque os olhos impuros são mensageiros de um coração impuro´´ .Em resumo: há um estilo de vida que facilita a observância da castidade e há outro que a dificulta ou até a torna praticamente impossível.

 Quando pode um seminarista considerar-se preparado para assumir oficialmente o celibato?

        Conforme as vigentes normas da Igreja pode considerar-se preparado para assumir oficialmente o celibato o seminarista que, durante um longo período, dentro do clima de profunda vida espiritual próprio do seminário, já se exercitou na prática da continência perfeita, possuindo, portanto, nesta matéria, uma virtude madura e sólida. Esta diretriz foi reafirmada, recentemente, pelo Papa João Paulo II. Eis suas palavras: “... a fim de prosseguir rumo à meta do sacerdócio é necessário possuir uma virtude madura e sólida, isto é, capaz de garantir, na medida do possível <in humanis>, uma perspectiva de perseverança no futuro. Não há duvida que o Senhor, como fez com Saulo no caminho de Damasco, pode transformar instantaneamente um pecador num santo. Contudo, isto não faz parte da vida habitual da Providência. Portanto, quem tem a responsabilidade de autorizar um candidato a prosseguir no caminho do sacerdócio deve ter <hic at nunc> a segurança da sua atual idoneidade. Se isto é valido para todas as virtudes e hábitos morais, é claro que se exige também em maior medida no que se refere à castidade, a partir do momento em que, ao receber as Ordens, o candidato se manterá no celibato perpétuo” .

            Nota-se que o compromisso de observar a continência perfeita, “por causa do Reino dos céus”, pode também ser assumido privadamente por qualquer fiel. É esta, de fato, uma das matérias mais comuns de votos privados pessoais, emitidos por fieis devotos, preferivelmente sob a orientação do confessor ou diretor espiritual.

            Entretanto, a pergunta se refere ao compromisso assumido oficialmente, isto é, publicamente, no foro externo (“coram Ecclesia”) e, portanto, com a aceitação oficial por parte da autoridade eclesiástica, como acontece na profissão dos Religiosos e Religiosas e na ordenação diaconal. Neste caso, trata-se de um ato bilateral. Quem assumir tal compromisso, já não poderá retirar-se ou desistir unilateralmente. Para romper o vínculo contraído será necessária uma intervenção na autoridade eclesiástica.

            Justamente por isso, autoridade da Igreja – visando tanto ao bem do candidato, como ao bem comum da sociedade eclesial – estabelece normas e critérios práticos para julgar se tal candidato está realmente preparado para dar esse passo definitivo, que o colocará num novo estado de vida, com o conhecimento de toda comunidade. Tais normas estão sintetizadas nas supracitadas palavras de João Paulo II: requer-se que o candidato já tenha adquirido virtude madura e sólida... em maior medida no que se refere à castidade.

            É evidente que tal virtude não se adquire do dia para a noite, mas sim através de um longo e paciente tirocínio, num contexto de profunda vida espiritual, impregnada de oração, vida sacramental séria e ascese.

            Conseqüência lógica destes princípios é a seguinte: deve-se distinguir entre a idoneidade para receber, hic et nunc, (aqui e agora) a absolvição sacramental e a idoneidade para ser oficialmente admitido ao estado celibatário. Um seminarista que comete faltas graves contra o sexto mandamento, pode estar disposto para receber a absolvição sacramental; mas isto não significa que seja idôneo para abraçar o estado celibatário. E o motivo é simplesmente este: tal candidato esta demonstrando que não possui a “virtude madura e sólida”, comprovada por longa experiência.

            No texto citado, o Santo Padre João Paulo II está reafirmando um requisito estabelecido e reiterado pela Igreja através dos séculos e que tem suas raízes nas palavras de São Paulo a Timóteo: “Não te apresses a impor as mãos a ninguém...” (1 Tm 5, 22).

 

           

 

 
 
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