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09/06/2008
Sobre o Celibato Sacerdotal - II Parte
Como compreender o celibato sacerdotal, hoje?
 
 
 

 

Celibato – II Parte

 Se até alguns Bispos divergem entre si sobre estas questões do celibato, não seria o caso de deixá-lo facultativo?

           Se algum Bispo não concorda com a lei do celibato, não pode falar em nome da Igreja. As decisões oficiais em nome de toda a Igreja só podem ser tomadas pelo Papa ou pelo Concílio Ecumênico. Todo candidato ao episcopado, antes de receber a sagração, emite um juramento público e solene, com a mão direita sobre o livro dos Evangelhos, comprometendo-se a ser “sempre fiel à Igreja Católica ao Romano Pontífice, seu Supremo Pastor, Vigário de Cristo, sucessor do bem-aventurado Pedro no primado e Chefe do Colégio dos Bispos”; e também se empenhando a exercer seu tríplice múnus episcopal “com suma diligência... e em comunhão hierárquica com o Chefe e com os membros do Colégio Episcopal”.  Não se entende como, vinculado por compromissos tão graves, um bispo não hesite em posicionar-se frontalmente contra p Papa num assunto de tamanha importância. Esta questão (“celibato facultativo”) já foi respondida anteriormente.

 São Pedro foi o primeiro Papa, e era casado. Por que então a lei do celibato?

           É provável também a esposa, quando se decidiu a seguir a Jesus radicalmente. Ele, com efeito, disse a Jesus, com muita confiança: “Eis que nós deixamos TUDO e te seguimos...” E Jesus, em sua resposta, incluiu também a renúncia à esposa: “Em verdade eu vos digo: não há quem tenha deixado casa, MULHER, irmãos, pais ou filhos por causa do Reino de Deus, sem que receba muito mais neste tempo e, no tempo futuro, a vida eterna” (Lc 18, 29-30; Mt 19, 27-29); Mc 10, 28-30) 45.

 Muitos afirmam: “ Quero ser padre porque não tenho vocação para o matrimônio”. É correto?

           Quem não tem vocação para o matrimônio por causa de algum impedimento físico ou psíquico, tampouco é idôneo para professar o celibato eclesiástico. Conseqüentemente, não tem vocação canônica para o sacerdócio. Veja resposta em quesitos anteriores.

 O padre não tem medo de ser desprezado na velhice, por não construir família? É possível ser feliz eternamente solteiro? Não será o celibato a causa de tantas angústias, tensões, tristezas e distúrbios nervosos?

           A esta pergunta responde Paulo VI: “ Por vezes a solidão pesará dolorosamente sobre o sacerdote, mas nem por isso há de arrepender-se de tê-la generosamente escolhido. Também Cristo, nas horas mais trágicas da vida, ficou só, abandonado mesmo daqueles que tinha escolhido para testemunhas e companheiros e que Ele tinha amado até o fim (Jô 13,1), mas declarou: Não estou só, porque o pai está comigo” (Jô 16,320. Quem escolheu ser todo de Cristo há de encontrar, antes de tudo, na intimidade com Ele e na sua graça, a força do ânimo necessária para dissipar a melancolia e para vencer os desânimos. Não lhe faltará a proteção da virgem Mãe de Jesus e os maternos desvelos da igreja a cujo serviço se consagrou. Poderá contar com a solicitude do seu pai em Cristo, o Bispo, com a fraternidade ínfima dos irmãos no sacerdócio e com o conforto de todo o Povo de Deus” 46)”.

            Recorde-se também que a maioria dos celibatários pertencem a Institutos de Vida Consagrada e vivem em comunidades religiosas, onde pode usufruir, na velhice, de maior assistência do que muitos leigos casados. Além disso, em muitas dioceses, existem “Fraternidades Sacerdotais” ou “Casas do Clero”, etc, onde os sacerdotes diocesanos idosos recebem toda assistência. Quanto à “felicidade” do celibatário, já foi respondido anteriormente.

            Não é exato afirmar ou pressupor gratuitamente que existem “ TANTAS angústias, tensões, tristezas e distúrbios nervosos” entre os celibatários. A experiência diz o contrário: é suficiente observar o número considerável de pessoas casadas que vivem sob tratamento psiquiátrico ou psicológico. Se tais distúrbios se verificam em sacerdotes, não se pode afirmar um tout court que a causa é o celibato como tal. Pode ter acontecido que a ordenação sacerdotal tenha sido conferida a pessoas não idôneas para abraçar o celibato. Outra causa dos mencionados distúrbios pode encontrar-se na negligência em usar os recursos espirituais necessários para uma vida consagrada.

 Muitos não estariam sendo padres apenas por questão de estabilidade financeira e “status”?

           A única motivação autêntica que caracteriza o celibato eclesiástico é aquela indicada pelo próprio Jesus: “ POR CAUSA DO REINO DOS CÉUS” (Mt 19,12). Se alguém renuncia ao matrimônio por outros motivos meramente naturais (por exemplo: para poder dedicar-se mais aos estudos, como o teria feito KANT) pode até estar fazendo uma ação honesta, mas não se constitui no estado de celibato eclesiástico. E se a motivação for egoística ou menos nobre (como busca de estabilidade financeira ou de “status”), pode até constituir um ato responsável. Eis mais um motivo pelo qual é necessário um longo período de discernimento no seminário, especificamente sobre a idoneidade a abraçar o celibato, para que o aluno possa, com o auxílio de pessoas peritas na matéria (confessor e diretor espiritual idôneos ad hoc) conhecer melhor a si mesmo e identificar quais as reais motivações que o levam a renunciar ao matrimônio.

 Por que para ser padre é necessário reprimir os impulsos sexuais?

           Para ser padre, é preciso ser um celibatário autêntico, isto é, alguém que, sendo um heterossexual normal-e, portando, idôneo e apto para contrair matrimônio – depois de ter praticado longamente a virtude da continência perfeita (como manda o sexto mandamento), entendeu, por graça de Deus, o valor do celibato (cf Mt 19,11-12), e, movido pelo Espírito Santo, fez essa opção por amor a Jesus Cristo (cf Fl 3,7-11), “ por causa do reino dos céus”.

 Alguns padres não estariam compensando os impulsos sexuais por outros canais nem sempre virtuosos? Por exemplo: pela aquisição de bens materiais, vida de marajá ou exercício abusivo do poder?

           É possível que isto aconteça por causa da fragilidade humana ou por negligencia no uso dos recursos espirituais necessários.

 O celibato não seria uma porta larga para os homossexuais se refugiarem?

            O homossexualismo, como qualquer outra anomalia sexual, é uma contra-indicação absoluta para o celibato e, portanto, ao sacerdócio. Se algum homossexual conseguiu chegar à ordenação sacerdotal, está em estado de pecado grave, enganando (ou tentando enganar) a autoridade eclesiástica; não a Deus.

 A formação do seminário, em geral, é suficiente para preparar o padre para a vida celibatária? Que fazer para melhorá-la?

           A resposta à primeira parte da pergunta é NEGATIVA. Realmente, a formação ministrada nos seminários é, em geral, insuficiente para preparar o futuro sacerdote para a vida celibatária. Coloca-se, como objeto direto e principal da formação, o sacerdócio; enquanto o celibato é deixado como algo “acessório” que deve acompanhar o “principal”... Que fazer para corrigir essa falha: Eis algumas sugestões: 1) Conscientizar os seminaristas sobre o direito inviolável de optar, com total liberdade, entre o matrimonio e o celibato; 2) oferecer-lhes um ambiente apto e a ajuda de conselheiros espirituais preparados (confessores e diretores espirituais) para que possam realizar, serenamente, um profundo discernimento sobre a própria idoneidade a observar, durante toda a vida, continência perfeita; 3) tratar bem aqueles alunos que, seguindo a própria consciência, decidem sair do seminário e não condená-los como “indignos” ou “infiéis”; (em 1961 a Santa Sé emitiu a seguinte diretriz: “Quando um aluno, por conselho do confessor ou do diretor espiritual, declara aos Superiores que não é idôneo para o Sacerdócio, o Superior aceite a sua declaração e não faça ulteriores investigações”; 4) ser firmes em não manter no seminário alunos que não estão convictos sobre a convivência do celibato para o sacerdote, ou que não aceitam ou demonstram não poder viver em perfeita continência ou apresentam sintomas de qualquer anomalia sexual ou psíquica.

            Segundo a mencionada INSTRUÇÃO da Santa Sé, devem ser excluídos do seminário: a) os alunos que certamente se demonstram incapazes de observar a castidade sacerdotal, pela freqüência das culpas contra a castidade ou pela proclividade psíquica às matérias sexuais ou pela exagerada fraqueza de vontade; b) os que têm o hábito da masturbação; c) aqueles que, sendo já seminaristas, cometem um pecado grave contra o sexto mandamento com pessoa do mesmo ou outro sexo; d) aqueles que derem escândalo grave à matéria da castidade; e) aqueles que têm tendência para o homossexualismo ou a pederastia .

            Faz-se um grande mal à Igreja quando se confere a ordenação sacerdotal a pessoas não idôneas a viver o celibato. O Santo Padre João Paulo II nos alertou, mui recentemente: nesta matéria não se deve esperar milagres de conversões instantâneas .

 Se existem padres que não vivem o celibato, não será porque, no tempo da sua formação, não tiveram suficiente educação sexual? Não seria necessária uma cadeira específica sobre o celibato?

           As causas de infidelidade ao celibato podem ser várias. Não se pode dar uma resposta geral. Pode tratar-se de fragilidade humana ou negligencia na vida espiritual. Quanto à formação intelectual, em todos os seminários sempre se expõem, em profundidade, os tratados teológicos sobre o sexto mandamento e o nono. Deve haver igualmente um curso especifico sobre o tema do celibato.

 Porque a Igreja, muitas vezes, só vê pecado no sexo?

          Não é verdade que a Igreja “muitas vezes” só vê pecado o sexo. A pregação moral da Igreja abrange os dez mandamentos; em particular o Magistério Papal, principalmente a partir de Leão XIII, tem-se debruçado intensamente sobre os problemas sociais. Veja-se todo o maravilhoso corpo da “DOUTRINA SOCIAL” da Igreja, elaborado, sobretudo a partir da RERUM NOVARUM. A pregação das últimas décadas, na América Latina, pendeu muito para a área social e não tanto para as violações e abusos enormes contra o sexto mandamento.

            De uma outra parte, como ensina o Catecismo da Igreja Católica, o Decálogo constitui uma unidade, “um todo inseparável”. Cada mandamento se refere a cada um dos outros e a todos”. Eles se condicionam reciprocamente. Transgredir um mandamento é infringir todos os outros . “Com efeito, aquele que guarda, em geral, todos os mandamentos, mas desobedece a um deles, torna-se culpado da transgressão da Lei inteira” (Tg 2, 10)”.

            Portanto, é um erro pensar que alguém pode viver na graça de Deus sem observar o sexto mandamento. É igualmente errônea e foi refutada por João Paulo II na encíclica Veritatis Splendor a teoria que pretende contrapor a “Moral do Amor” à “Moral dos Preceitos”; o próprio Jesus disse que o amor se demonstra através da observância dos preceitos: “Se me amais, observareis os meus mandamentos” (Jô 14, 15; 15, 10; 1 Jo 5, 3).

 Será que a adesão dos padres ao celibato não seja motivo pelo qual tratem de modo grosseiro os fieis?

           A grande maioria dos padres representam bem a figura do “bom pastor” e procuram imitar Nosso Senhor Jesus Cristo no tratamento com suas ovelhas. O celibato autentico os ajuda a cumprir bem essa missão. Os casos de falhar (“grosserias”) não podem ser atribuídos ao celibato como tal, a não ser que se trate de pessoas que não eram idôneas para o ministério ou não optaram com convicção pelo celibato.

 O padre que mantém uma relação sexual peca contra a castidade ou contra o celibato?

          Tal sacerdote encontra-se em situação grave, por estar violando habitualmente o sexto mandamento e a obrigação do celibato, o que constitui um sacrilégio. Está moralmente impedido de exercer o ministério. Para administrar ou receber os sacramentos é preciso encontrar-se em estado de graça.

 
 
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