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08/05/2015
Bolonha
Santo Albino
 
 
 
BOLONHA
 
Do Livro “Fábrica de Padres”, de Cláudio Heckert
(Ainda não publicado)
 
Bolonha era o seu nome, ou o seu apelido, sei lá!
Eu até achava justo o nome! Cabia-lhe bem: Com 17 anos, era alto, mais gordo do que magro – muito mais gordo - sorria pouco, era calado, passos lentos, pesados...
Tinha poucos amigos, e eu também não tive vontade de tê-lo como amigo: “É muito molenga!”
Mas, era esforçado, e procurava fazer tudo da melhor maneira possível: nos estudos, nos trabalhos, nas orações...
De fato, pontual em tudo.
Nos estudos, era fraco em matemática – quase todos o são – e ele chegou a discutir com o professor em uma destas aulas: 
- Não sei para que serve a matemática. Acho que não serve para nada, e nem para o senhor, professor. Nunca vamos usá-la.
O professor, irado, joga o giz no quadro negro e responde:
- Eu também não sei para que serve. Mas sei que preciso ensinar isto a vocês, e vocês vão ter que aprender, nem que seja na “marra”! 
No recreio, Bolonha comentou com os colegas:
- Coitado do professor! Mesmo não gostando da matemática, procura fazer o seu trabalho com responsabilidade. Devemos rezar por ele e ajuda-lo sempre!
De fato, nunca mais interferiu nas aulas, embora fizesse muitas indagações sobre eventuais dúvidas, até quando as dúvidas eram dos  colegas, afim de ajuda-los.
Também era fraco em Português, embora dedicava horas e horas aos estudos, afim de decorar ou entender os “caprichos” da Gramática Portuguesa! Não se saía bem nos verbos e suas concordâncias; era ruim, em decorar poesias ou declamá-las. Em uma das aulas, o professor pediu para que os alunos compusessem uma poesia para que fosse apresentada “ao vivo” na aula seguinte. Bolonha compôs a seguinte poesia:
Meu pai fez uma cuia,
Jogou pro ar 
E fez, aleluia.
Uia, uia, uia...
A gargalhada foi geral, até por parte do professor, e a “gozação” durou por muitos dias. Bolonha, no entanto, ria junto com os colegas, parecendo não0 ter noção da gozação, causando até surpresa aos gozadores! Num destes momentos, falou para os que dele zombavam:
- Fico tão feliz ao voltarmos a este assunto, pois cada vez que isto acontece, lembro-me do meu papai: ele, de fato fazia cuias, bacias, canecas e as vendia para ajudar um pouco nas despesas da casa e até para comprar o meu enxoval, para o seminário. Bendito seja o Senhor Deus, por este papai que Ele me deu! Quantas saudades, Deus! Quantas saudades!
As lágrimas jorradas de seus olhos, “respingaram” nos olhos dos outros... e nos meus...
Nos esportes, não se saía muito bem, principalmente no futebol, que não gostava, mas que era obrigatório. Contudo, fazia a sua parte com alegria: preferia ficar sempre na “ponta”, para que pudesse sair do campo, quando alguém viesse com a bola, afim de não atrapalhar o adversário! Não corria atrás da bola, para que os outros, que gostavam de jogar, fizessem isto a contento! 
Sempre os outros... os outros...
E criou um “Banco de Reservas” jamais visto em qualquer lugar do mundo: 
- O Banco do Reserva Imparcial!
O único ocupante do Banco era ele! Consistia em que: quando houvesse uma falta perigosa, ou um pênalti a ser cobrado, era ele que deveria cobrar, não importando para que equipe fosse, pois:
- O Reserva imparcial joga para os dois times!
E ele era infalível: era gol na certa!
A ideia foi colocada em prática, mas não agradou a muitos.
- O jeito é cuidar para não fazer faltas perigosas ou pênaltis.
- Ou contratá-lo para um só time...
Mas a resposta para esta segunda hipótese foi negativa:
- O Reserva Imparcial deve ter a consciência pura e não pode ser corrupto. E tem mais: ele deve ter um coração bonito, para ajudar por igual a todos os contendores e então, não deve jogar contra ninguém, mas a favor de todos!
- Então, não vamos mais fazer faltas!
Nos trabalhos, era incansável: fazia sempre, com maestria o seu, que era cuidar dos porcos!
Os chiqueiros viviam sempre limpos; os porcos bem cuidados e tratados. Dava gosto de ver tudo tão limpo e bonito.
Seu trabalho terminava sempre antes do horário estipulado no regulamento, e por isso, sobrava-lhe tempo para ajudar os outros nos demais trabalhos, e procurava sempre ajudar àqueles que eram mais frágeis, que tinham mais dificuldades, mas gostava mesmo era de ajudar no jardim.
- As flores me falam de Deus, de Sua Beleza, de Seu Amor. As flores são o retrato alegre de um Deus alegre: do nosso Deus!
O responsável pelo jardim, um dia perguntou-lhe:
- Você não se cansa? Para que ajudar os outros? Você já fez o se trabalho. Vá descansar, agora...
E ele, suavemente respondeu:
- E se Jesus estivesse no meu lugar, Ele descansaria, sabendo que outros precisavam de Sua ajuda? 
- Deus não descansa?
- Sabe o que eu acho? Deus, enquanto descansava, decorava os jardins, colorindo as flores... Deus não se contentou em, simplesmente criar o mundo, mas decorou-o, enfeitou-o para dar ao homem o melhor, o mais bonito... “E Deus viu que tudo era bom!” E bonito!
- É! E eu acho que naquele dia, Deus fez corações bonitos, como o teu!
Nas orações era impecável: na Adoração, se “entregava” totalmente ao Céu. Nos cantos, a melhor voz. Nas preces, o amor que vem do Céu.
Na verdade, ele mesmo era uma oração!
Amigo de todos. Bom para todos.
Na disciplina de Religião, também era o melhor: sabia tudo. E o mais importante: vivia tudo o que aprendia, e ensinava com bons exemplos, aos outros, que, cada vez o conheciam melhor e cada vez mais o admiravam...
No final do ano letivo, os alunos que tiveram melhores notas e os melhores desempenhos nos estudos, recebiam medalhas de Honra ao Mérito, até o terceiro lugar, mas em Religião só o primeiro lugar era premiado.
O Diretor, em voz alta, dizia a nota de cada um:
- Albino, Religião 100!
Bolonha levanta-se e se dirige à Mesa Diretora.
Os aplausos ecoaram por todo o salão: era a primeira vez que um aluno tirava nota 100 em Religião. E este era o Bolonha!
O próprio Diretor, “alfinetou” a medalha na lapela do rapaz, e este, voltou ao seu lugar sob intermináveis aplausos!
No pátio, todos queriam cumprimentar e ver as medalhas que os “condecorados” mostravam com orgulho. Mas Bolonha já não a tinha consigo, e por isso levava os amigos ao dormitório e mostrava aonde a havia colocado: sobre no criado-mudo, aos pés da imagem de Nossa Senhora!
- É Ela que merece a medalha! É Ela que sabe tudo! Vocês podem homenageá-la comigo?
- Ave Maria, cheia de graças...
Agora, todos queriam ser amigos dele – até eu – e se orgulhavam de tê-lo como verdadeiro amigo e agora, todos já o chamavam pelo seu verdadeiro nome:
- Albino!
E este nome, combinava com ele: 
- Alvo, como a sua alma!
- Santo Albino: Rogai por nós!
Amém!
 
Cláudio Heckert
  
 
 
 
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