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16/03/2008
Cristo aclamado
Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém
 
 
 

             Tendo chegado o dia correspondente ao domingo de Ramos, partiu Jesus para Jerusalém em companhia de seus discípulos e de muitos anjos que o louvavam, por vê-lo tão enamorado pelos homens e tão solícito por sua eterna salvação.

            Tendo caminhado duas léguas, mais ou menos, chegando a Betfagé, enviou dois discípulos à casa próxima de um homem abastado, para dali lhe trazerem dois jumentinhos (Mt21, 2), um dos quais ainda não havia sido montado por ninguém.

            Os discípulos estenderam suas capas sobre os dois animais, e Nosso Senhor dirigiu-se para Jerusalém, servindo-se de ambos no seu triunfo, conforme as profecias de Isaías (62,11) e Zacarias (9,9). Muitos séculos antes de as deixarem escritas, para que os sacerdotes e sábios da lei não alegassem ignorância.

            Os quatro evangelistas escreveram este maravilhoso triunfo de Cristo: (Mt 21,4; Mc 11,1; Lc 19,30; Jo 12,13). Narraram o que foi presenciado por todos os circunstantes. Durante o caminho, eles e todo o povo, pequenos e grandes, aclamaram o Redentor como verdadeiro Rei.

            Uns diziam: “Paz no céu, glória nas alturas, bendito o que vem em nome do senhor. Outros exclamavam: Hosana ao filho de David; salvai-nos, filho de David; bendito seja o reino de nosso pai David que está por vir.”.

            Uns e outros cortavam palmas e ramos de árvores, em sinal de triunfo e alegria, e com suas vestes forravam o caminho por onde passava o vencedor das batalhas, Cristo nosso Senhor.

 Cristo Aclamado

        Todas  as nobres demonstrações de culto e adoração que os homens prestavam ao Verbo Divino humanado, manifestavam o poder de sua divindade, principalmente pelo momento em sucederam. Era a ocasião em que os sacerdotes e os fariseus o esperavam, para tirar-lhe a vida nessa mesma cidade.

Se não fossem movidos interiormente por sua virtude divina, superior a seus outros milagres, não seria possível que tantos homens, muitos deles gentios, outros inimigos declarados, ao mesmo tempo, o aclamassem por verdadeiro Rei, Salvador e Messias.

            Além disso, inclinavam-se a um homem pobre, humilde e perseguido, apresentando-se sem o aparato de armas e poder humano: nem riquezas, nem carros de triunfo, nem soberbos cavalos.

            Com exceção de seu semblante grave, sereno, e cheio de majestade, correspondente à sua oculta dignidade, tudo lhe faltava. Chegava num humilde jumentinho, desprezível para o fausto e vaidade mundana, e em tudo o mais, nada tinha do que o mundo aplaude e exalta.

            Deste modo, eram manifestos os efeitos da força divina que movia a vontade e o coração dos homens a se renderem a seu Criador e Redentor.

 Repercussão do triunfo no Limbo e em outras partes do mundo. 

Além do movimento geral produzido em Jerusalém, pela inspiração que o Senhor enviou aos corações a fim de que todos reconhecessem nosso salvador, o triunfo se estendeu a todas, ou a muitas criaturas racionais.

            Quando Cristo, nosso salvador, entrou em Jerusalém, o anjo São Miguel foi enviado para anunciar este mistério aos santos pais e profetas do limbo, que, ao mesmo tempo, tiveram particular visão da entrada do Senhor e do mais que então aconteceu. Daquela prisão onde se encontravam, reconheceram e adoraram a Cristo, nosso mestre e senhor, como verdadeiro Deus e redentor do mundo. Fizeram-lhe novos cânticos de glória e louvor, pelo seu admirável triunfo sobre a morte, o pecado e o inferno.

            O poder divino moveu o coração de muitos outros viventes em todo o mundo. Os que tinham fé ou notícia de Cristo, senhor nosso, não só na Palestina e seus limites, como também no Egito e outros reinos, foram inspirados para naquela hora, adorarem em espírito, a seu e nosso Redentor. Assim o fizeram, com a especial consolação que lhes produziu a visita e influência da divina luz, embora não conhecessem expressamente, nem a causa nem a finalidade daquela inspiração. Não foi, porém, sem proveito para suas almas, pois seus efeitos as fizeram progredir muito na fé e na prática do bem.

            Para que o triunfo, que nessa ocasião, nosso Salvador obtinha sobre a morte, fosse mais glorioso, ordenou o Altíssimo que naquele dia, ela não atingisse nenhum dos mortais. Por isto, nesse dia não morreu ninguém no mundo, ainda que, naturalmente, deviam ter morrido muitos. Impediu-o poder divino, para que em tudo fosse admirável a vitória de Cristo.

Triunfo sobre o inferno.

A esta vitória sobre a morte, seguiu-se a vitória sobre o inferno, ainda mais gloriosa, embora oculta. No momento em que os homens começaram a aclamar Cristo, por salvador e rei que vinha em nome do Senhor, sentiram os demônios a força da sua destra. Todos quantos estavam pelo mundo, foram derrubados de seus lugares e precipitados ao fundo dos calabouços do inferno, e enquanto durou aquela recepção, não ficou nenhum demônio sobre a terra, mas todos caíram nos abismos com grande raiva e terror.

            Desde essa hora, suspeitaram com maior probabilidade, que o Messias já se encontrava no mundo, e logo conferiram entre si este receio, como direi no capítulo seguinte.

            Prosseguiu o salvador do mundo sua triunfal caminhada, até entrar em Jerusalém. Os santos anjos que o acompanhavam, cantaram-lhe novos hinos de louvores divinos, com admirável harmonia.

            Entrando na cidade, no meio da alegria geral, apeou do jumentinho e dirigiu seus formosos passos para o templo, onde, com o espanto de todos, aconteceu o que referem os evangelistas (Mt 21,12; Lc 19,45). Derrubou as mesas dos que vendiam e compravam no templo, zelando pela honra de seu Pai. Expulsou dali os que a transformavam em casa de comércio e covil de ladrões.

No momento, porém, em que cessou o triunfo, a destra do senhor suspendeu a sua influência sobre os corações dos moradores de Jerusalém. Os justos ficaram melhores e muitos se justificaram; outros voltaram a seus vícios, maus hábitos e ações imperfeitas, porque não se aproveitaram da luz e inspirações divinas. Em conseqüência, ainda que tantos houvessem aclamado e reconhecido a Cristo, Nosso Senhor, Por Rei de Israel, não houve quem o hospedasse em sua casa. (Mc 11,11)

 Maria, em visão, assiste ao triunfo de seu filho.

 Ficou Jesus no templo ensinando e pregando até a tarde. Para testemunhar a veneração e o culto que se devia àquele lugar santo e casa de oração, não consentiu que lhe trouxessem nem um copo de água sequer. Sem este, nem outro qualquer refrigério, voltou à tarde para Betânia (Mt 21, 17 e 18), e nos dias seguintes até sua paixão, vinha até a Jerusalém.

            A divina Mãe e Senhora Maria Santíssima, esteve naquele dia retirada a sós em Betânia. Dali, por especial visão, assistiu tudo o que se passou no admirável triunfo de sue filho e mestre. Viu o que faziam os anjos no céu, os homens na terra e o que aconteceu aos demônios no inferno; que em todas essas maravilhas, o eterno Pai cumpria as promessas que fizera a seu Unigênito, dando-lhe o império e domínio sobre todos os seus inimigos.

            Viu também quanto fez nosso Salvador no templo e entendeu aquela voz do Pai que veio do céu e foi ouvida por todos os circunstantes, em resposta ao que dissera Cristo nosso Salvador (Jo 12,28): Eu te glorifiquei, e tornei a glorificar. Nestas palavras deu a entender que, além do triunfo e glória que o Pai dera ao Verbo naquele dia, e nos outros referidos, o glorificaria e exaltaria no futuro, depois de sua morte. Assim o entendeu e penetrou sua Mãe Santíssima, com admirável gozo de seu puríssimo espírito.

   DOUTRINA DA RAINHA E SENHORA MARIA SANTÍSSIMA

 Minha filha; escreveste um pouco do que entendeste, sobre os ocultos mistérios do triunfo do meu Filho Santíssimo, no dia em que entrou em Jerusalém. Muito mais conhecerás no Senhor, porque na vida mortal é impossível aos viadores penetrá-los mais. Não obstante, do que manifestaste, podem tirar suficiente doutrina, para saberem quão elevados são os desígnios do Senhor e quão diferentes dos pensamentos dos homens (Is 55,9). O Altíssimo vê o coração das criaturas (1Rs 16,7), e seu íntimo, onde se encontra a beleza da Filha do Rei (Sl 44,14), enquanto os homens vêem o aparente e sensível. Por isto, aos olhos de sua sabedoria, os justos e escolhidos, quando se humilham, são estimados e elevados, ao passo que os soberbos, quando se enaltecem, são humilhados e detestados. Esta ciência, minha filha, por poucos é compreendida, pelo que os filhos das trevas não sabem apetecer e procurar outra honra e exaltação, além daquelas que o mundo lhes dá.

            Os filhos da Santa Igreja sabem e confessam que esta glória é vã, sem consistência e que não dura mais do que a flor e o feno, mas não vivem esta verdade. Como a consciência não lhes dá testemunho das virtudes e graça que não possuem, procuram o crédito dos homens, suas honras e aplausos, ainda que tudo seja falso e cheio de mentira. Só Deus é que, sem engano, honra e exalta quem merece. O mundo, ordinariamente, faz o contrário, dando suas honras a quem menos as merece, ou a quem, mais sagaz e ambicioso, as procura e solicita.

Soror Maria de Agreda, em a Mística Cidade  de Deus

 

           

 
 
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