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25/07/2011
Anziani 1/2
Carta de João Paulo II aos anciãos
 
 
 
Aos meus irmãos e irmãs anciãos!  A soma da nossa vida é de setenta anos,  os mais fortes chegam aos oitenta; mas, a maior parte deles é fadiga e dor, passam depressa e nós desaparecemos »  (Sal 90 [89], 10)
1. Setenta anos eram muitos no tempo em que o Salmista escrevia estas palavras, e muitos não os superavam; hoje, graças aos progressos da medicina e melhores condições sociais e econômicas, em muitas regiões do mundo a vida ampliou-se notavelmente. Porém, é sempre verdade que os anos passam rapidamente; o dom da vida, apesar da fadiga e dor que a caracteriza, é belo e precioso demais para que dele nos cansemos.
 
Sendo também eu ancião, senti o desejo de estabelecer um diálogo convosco. Faço-o, antes de mais, dando graças a Deus pelos abundantes dons e oportunidades que Ele me concedeu até hoje. Percorro novamente com a memória as etapas da minha existência, que se entrelaçam com a história de grande parte deste século, e vejo aparecer a figura de numerosas pessoas, algumas delas particularmente queridas: são lembranças de eventos ordinários e extraordinários, de momentos felizes e de fato marcados pelo sofrimento. Acima de tudo, no entanto, vejo estender-se a mão providente e misericordiosa de Deus Pai, o qual « trata do melhor modo tudo o que existe », e « se algo Lhe pedimos, segundo a Sua vontade, Ele ouve-nos » (1 Jo 5, 14). A Ele, digo com o Salmista: « Desde a minha juventude, Vós me instruístes, Senhor, até ao presente anuncio as Vossas maravilhas. Agora na velhice e na decrepitude, não me abandoneis, ó Deus; para que narre às gerações a força do Vosso braço, o Vosso poder a todos os que hão de vir » (Sal 71 [70], 17-18).
 
Meu pensamento dirige-se com hábito a vós, caríssimos anciãos de qualquer língua e cultura. Escrevo-vos esta carta no ano que a Organização das Nações Unidas quis oportunamente dedicar aos anciãos, para chamar a atenção da sociedade inteira para a situação daquele que, pelo peso da idade, deve com frequência enfrentar problemas numerosos e difíceis.
 
Sobre este tema, o Pontifício Conselho para os Leigos já ofereceu preciosas linhas de reflexão. Com esta carta, desejo somente exprimir a minha proximidade espiritual com o intuito de quem, ano após ano, sente crescer dentro de si uma compreensão sempre mais profunda desta fase da vida e nota consequentemente a necessidade de um contacto mais próximo com os seus coetâneos para refletir sobre coisas que são de comum experiência, tudo colocando sob o olhar de Deus que nos envolve com o seu amor, e com a sua providência nos sustenta e conduz.
 
2. Caríssimos irmãos e irmãs, voltar ao passado para tentar uma espécie de balanço, é espontâneo na nossa idade. Esta visão retrospectiva permite uma avaliação mais serena e objetivo de pessoas e situações encontradas ao longo do caminho. O passar do tempo suaviza os contornos dos acontecimentos, amenizando os contratempos dolorosos. Infelizmente cruzes e tribulações estão amplamente presentes na vida de cada um. Às vezes trata-se de problemas e sofrimentos, que põem a dura prova a resistência psicofísica e podem fazer estremecer a mesma fé. Mas a experiência ensina que até as próprias penas quotidianas, com a graça do Senhor, contribuem frequentemente para o amadurecimento das pessoas, abrandando-lhes o caráter.
 
Para além dos acontecimentos pessoais, a reflexão que mais se impõe é a que se refere ao tempo que passa inexoravelmente. « O tempo foge irremediavelmente », já sentenciava um antigo poeta latino. O homem está imerso no tempo: nele nasce, vive e morre. Com o nascimento fixa-se uma data, a primeira da sua vida, e com a morte a outra, a última: o alfa e o ômega, o início e o fim da sua passagem pela terra, como a tradição cristã sublinha, esculpindo estas letras do alfabeto grego sobre as lápides dos túmulos.
 
Mas, se a existência de cada um de nós é tão limitada e frágil, conforta-nos o pensamento que, graças à alma espiritual, sobrevivemos à morte. Aliás, a fé oferece-nos uma « esperança que não confunde » (cf. Rom 5, 5), descerrando-nos a perspectiva da ressurreição final. Não é sem motivo que a Igreja, na solene Vigília Pascal, usa estas mesmas letras para se referir a Cristo vivo, ontem, hoje e sempre: « Princípio e fim, Alfa e Ômega. A Ele pertence o tempo e a eternidade ». A existência humana, apesar de sujeita ao tempo, é colocada por Cristo no horizonte da imortalidade. Ele « fez-Se homem entre os homens, para reunir o fim com o princípio, isto é, o homem com Deus ».
 
 
 
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