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28/07/2011
Anziani 6/8
Carta de João Paulo II aos anciãos
 
 
 

6. « A juventude e a adolescência são passageiras », observa o Eclesiastes (11, 10). A Bíblia não deixa de chamar a atenção, por vezes com grande realismo, sobre a caducidade da vida e sobre o tempo que passa inexoravelmente: « Vaidade das vaidades, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade » (Ecle 1, 2): quem não conhece a severa advertência do antigo Sábio? Entende-mo-lo especialmente nós anciãos, ensinados pela experiência.

Apesar deste desencantado realismo, a Escritura conserva uma visão muito positiva do valor da vida. O homem permanece sempre criado à « imagem de Deus » (cf. Gn 1, 26), e cada idade possui a sua beleza e missão. Mais, a idade avançada encontra na palavra de Deus uma grande consideração, a tal ponto que a longevidade é vista como sinal da benevolência divina (cf. Gn 11, 10-32). Esta benevolência com Abraão, — homem, do qual é ressaltado o privilégio da ancianidade — assume o rosto de uma promessa: « Farei de ti um grande povo, abençoar-te-ei, engrandecerei o teu nome e serás uma fonte de bênçãos. Abençoarei aqueles que te abençoarem, e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem. E todas as famílias da terra serão em ti abençoadas » (Gn 12, 2-3). Ao lado dele, aparece Sara, a mulher que vê-se envelhecer, mas que experimenta no seu corpo depauperado a potência de Deus, que supre a insuficiência humana.

Moisés já é ancião, quando Deus lhe confia a missão de fazer sair o povo eleito do Egipto. As grandes obras que ele realiza a favor de Israel por mandato do Senhor não ocupam os anos da juventude, mas os da velhice. Entre outros exemplos fornecidos por anciãos, queria citar a vida de Tobias, o qual, com humildade e coragem, procura observar a lei de Deus, ajudar os necessitados, suportar com paciência a cegueira até que o anjo de Deus não intervém definitivamente (cf. Tob 3,
16-17); e ainda a de Eleazar, cujo martírio testemunha a sua generosidade e fortaleza singulares (2 Mac 6, 18-31).

7. Também o Novo Testamento, cheio da luz de Cristo, descreve figuras eloquentes de anciãos. O Evangelho de S. Lucas abre com a apresentação de um casal « de idade avançada » (1, 7): Isabel e Zacarias, pais de João Baptista. Sobre eles desce a misericórdia do Senhor (cf. Lc 1,5-25.39-79): ao velho Zacarias é anunciado o nascimento de um filho. Ele mesmo o
sublinha: « Como se há-de verificar isso, se estou velho e minha mulher avançada em anos? » (Lc 1, 18). Durante a visita de Maria à anciã prima Isabel, esta, cheia do Espírito Santo, exclama: « Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre » (Lc 1, 42), e no nascimento de João Baptista, Zacarias entoa o hino do Benedictus. Trata-se, pois, de um admirável casal de anciãos, cheio de profundo espírito de oração.

No templo de Jerusalém Maria e José, que levaram Jesus para oferecê-lo ao Senhor, ou melhor, de conformidade com a Lei, para resgatá-lo como primogénito, encontram o velho Simeão, que há longo tempo esperava o Messias. Tomando entre seus braços o Menino, ele bendiz a Deus e irrompe no Nunc dimittis: « Agora, Senhor, podes deixar o Teu servo partir em paz... » (Lc 2, 29).

Junto a ele encontramos Ana, viúva de oitenta e quatro anos, assídua frequentadora do Templo, que naquela ocasião tem a alegria de ver a Jesus. O Evangelista anota que ela « pôs-se a louvar a Deus e a falar do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém » (Lc 2, 38).

Ancião é Nicodemos, estimado membro do Sinédrio. Ele vai ver Jesus de noite, para não dar nas vistas. A ele o divino Mestre revela ser o Filho de Deus, vindo para salvar o mundo (cf. Jo 3, 1-21). Encontraremos Nicodemos no momento da sepultura de Cristo, quando, levando uma mistura de mirra e aloés, vencerá o medo e se manifestará como discípulo do Crucificado (cf.
Jo 19, 38-40). Como são reconfortantes estes testemunhos! Lembram-nos como, em todas as idades, o Senhor pede a cada um para fazer render os próprios talentos. O serviço ao Evangelho não é questão de idade!

E que dizer de Pedro, chamado a testemunhar a sua fé no martírio? Um dia, o Senhor disse-lhe: « Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos e outro te cingirá e te levará para onde tu não queres » (Jo 21, 18). São palavras que, como Sucessor de Pedro, me tocam intimamente e fazem-me sentir vigorosamente a necessidade de estender as mãos em direcção às de Jesus, em obediência ao seu mandato: « Segue-me » (Jo 21, 19).

8. O Salmo 92 [91], como a querer sintetizar os brilhantes testemunhos dos anciãos que encontramos na Bíblia, proclama: « O justo florescerá como a palmeira, erguer-se-á como os cedros do Líbano. (...) Na velhice darão frutos, conservarão a sua seiva e seu frescor, para anunciar quão é justo o Senhor » (13, 15-16). O apóstolo Paulo, fazendo-se eco do Salmista,
escreve na carta a Tito: « Os anciãos devem ser sóbrios, graves, prudentes, firmes na fé, na caridade e na paciência. Do mesmo modo, as anciãs devem mostrar no seu exterior uma compostura santa (...); devem dar bons conselhos, a fim de ensinarem as jovens a amar os seus maridos e filhos » (2, 2-5).

A velhice, portanto, à luz do ensinamento e no léxico próprio da Bíblia, apresenta-se como « tempo favorável » para levar a bom termo a aventura humana, e faz parte do desígnio divino a respeito de cada homem como tempo no qual tudo converge, para que ele possa compreender melhor o sentido da vida e alcançar a « sabedoria do coração ». « A honra da velhice — observa o Livro da Sabedoria — não consiste numa longa vida, e não se mede pelo número de anos. Mas a inteligência é que faz os cabelos brancos, e a verdadeira velhice é uma vida imaculada » (4, 8-9). Ela constitui a etapa definitiva da
maturidade humana e é expressão da bênção divina.


 
 
Artigo Visto: 1890 - Impresso: 54 - Enviado: 17
 

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