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29/07/2011
Anziani - Conclusão
Carta de João Paulo II aos anciãos
 
 
 
9.Guardiões de uma memória coletiva.    No passado, nutria-se grande respeito pelos anciãos. A este respeito, escrevia o poeta latino Ovídio: « Grande era outrora o respeito pela cabeça encanecida ». Séculos antes, o poeta grego Focílides advertia: « Respeita os cabelos brancos: presta ao velho sábio aquelas mesmas homenagens que tributas a teu pai ».

E hoje? Se nos detivermos a analisar a situação atual, constatamos que em alguns povos a velhice é estimada e valorizada; em outros, pelo contrário, é-o muito menos devido a uma mentalidade que põe em primeiro lugar a utilidade imediata e a produtividade do homem. Por causa desta atitude, a assim chamada terceira ou quarta idade é frequentemente desprezada, e os mesmos anciãos são levados a perguntar-se se a sua vida ainda tem utilidade.

Chega-se até a propor, sempre com maior insistência, a eutanásia, como solução para as situações difíceis. Infelizmente, para muitas pessoas, o conceito de eutanásia nestes anos perdeu aquele traço de horror, que suscita naturalmente nos espíritos sensíveis ao respeito pela vida. Sem dúvida, pode acontecer que, nos casos de graves enfermidades com sofrimentos insuportáveis, as pessoas marcadas pela provação sejam tentadas pelo desespero e os seus entes queridos, ou os que cuidam delas, possam sentir-se motivados por uma mal entendida compaixão a considerar razoável a solução da « morte suave ». A este respeito, ocorre lembrar que a lei moral permite renunciar ao « excesso terapêutico », solicitando apenas aqueles cuidados que fazem parte das normais exigências da assistência médica. Outra coisa, porém, é a eutanásia entendida como a provocação direita da morte! Apesar das intenções e das circunstâncias, ela permanece um ato intrinsecamente mau, uma violação da lei divina, uma ofensa à dignidade da pessoa humana.

10. É urgente recuperar a justa perspectiva a propósito da vida no seu conjunto. E a justa perspectiva é a eternidade, da qual a vida é preparação significativa em cada uma das suas fases. A velhice também tem de cumprir o seu papel neste processo de progressiva maturação do ser humano a caminho da eternidade. Desta maturação só poderá beneficiar-se o mesmo grupo
social, do qual faz parte o ancião.

Os anciãos ajudam a contemplar os acontecimentos terrenos com mais sabedoria, porque as vicissitudes os tornaram mais experimentados e amadurecidos. Eles são guardiões da memória coletiva e, por isso, intérpretes privilegiados daquele conjunto de ideais e valores humanos que mantêm e guiam a convivência social. Excluí-los é como rejeitar o passado, onde penetram as raízes do presente, em nome de uma modernidade sem memória. Os anciãos, graças à sua experiência amadurecida, são capazes de propor aos jovens conselhos e ensinamentos preciosos.

Sob esta luz, os aspectos de fragilidade humana, ligados de modo mais visível com a velhice, tornam-se uma chamada à interdependência e à necessária solidariedade que ligam entre si as gerações, visto que cada pessoa está necessitada da outra e se enriquece dos dons e dos carismas de todos.

Soam significativas, a propósito, as considerações de um poeta, que me é querido, que assim escreve: « Não é eterno só o futuro, não só!... Sim, também o passado é a era da eternidade: o que já aconteceu, não voltará a aparecer de repente assim como era... Voltará como Ideia, não virá novamente como ele mesmo ».

« Honra teu pai e tua mãe »

11. Então porque não continuar a tributar ao ancião aquele respeito que as sadias tradições de muitas culturas em cada continente retêm um valor? Para os povos da área de influência bíblica, a referência foi, ao longo dos séculos, o mandamento do Decálogo: « Honra teu pai e tua mãe »; um dever, de resto, universalmente reconhecido. Da sua plena e coerente aplicação, não só surgiu o amor dos filhos pelos pais, mas foi também destacado o forte laço que existe entre as gerações. Onde o preceito é acolhido e fielmente observado, os anciãos sabem que não correm o perigo de ser considerados um peso inútil e incômodo.

Além disso, o mandamento ensina a tributar respeito aos que nos precederam e o bem que nos fizeram: « o pai e a mãe » indicam o passado, o laço entre uma geração e outra, a condição que torna possível a mesma existência de um povo.
Conforme a dupla redação proposta pela Bíblia (cf. Ex 20, 2-17; Dt 5, 6-21), este mandato divino ocupa o primeiro lugar na segunda Tábua, que se refere aos deveres do ser humano para consigo mesmo e para com a sociedade. Além disso, é o único mandamento ligado a uma promessa: « Honra teu pai e tua mãe, para que os teus dias se prolonguem na terra que o Senhor,
teu Deus, te dará » (Ex 20, 12; cf. Dt 5, 16).

12. « Levanta-te perante uma cabeça branca e honra a pessoa do ancião » (Lv 19, 32). Honrar os anciãos exige a seu respeito um triplo dever: o acolhimento, a assistência, a valorização das suas qualidades. Em muitos ambientes isto acontece quase espontaneamente, como por antigo costume. Em outros, porém, especialmente nas nações mais desenvolvidas economicamente, impõe-se uma necessária inversão de tendência, para que os que avançam pelos anos possam envelhecer com dignidade, sem temor de ficarem reduzidos a não contar para mais nada. É preciso convencer-se de que é próprio de uma civilização plenamente humana respeitar e amar os anciãos, para que estes se sintam, apesar da diminuição das forças, parte viva da sociedade. Já dizia Cícero que « o peso da idade é mais leve para quem se sente respeitado e amado pelos jovens ».

O espírito humano, por outro lado, mesmo ressentindo-se do envelhecimento do corpo, permanece de certa forma sempre jovem, se viver orientado para o eterno; e experimenta mais vivamente esta perene juventude, quando, ao testemunho interior da boa consciência, se une o afecto diligente e grato dos entes queridos. Então o homem, como escreve S. Gregório de Nazianzo, « não envelhecerá no espírito: aceitará a dissolução como o momento estabelecido para a necessária liberdade.
Suavemente emigrará para o além onde ninguém é imaturo ou velho, mas todos são perfeitos na idade espiritual ».

Todos conhecemos exemplos eloquentes de anciãos com uma surpreendente juventude e força de espírito. A quem deles se aproxima, suas palavras servem de estímulo e o exemplo de conforto. Possa a sociedade valorizar plenamente os anciãos, que em algumas regiões do mundo — penso de modo particular na África — são estimados justamente como « bibliotecas vivas » de sabedoria, guardiões de um patrimônio inestimável de testemunhos humanos e espirituais. Se é verdade que, do ponto de vista físico, em geral necessitam de ajuda, é igualmente certo que, na sua idade avançada, podem oferecer apoio à caminhada dos jovens que se debruçam sobre o horizonte da existência para provar os rumos.

Enquanto falo aos anciãos, não posso deixar de dirigir-me também aos jovens para convidá-los a permanecerem ao seu lado. Exorto-vos, caros jovens, a fazê-lo com amor e generosidade. Os anciãos podem dar-vos muito mais de quanto possais imaginar. O Livro do Eclesiástico a propósito adverte: « Não desprezes os ensinamentos dos anciãos, porque eles o aprenderam dos seus pais » (8, 9); « Frequenta a companhia dos anciãos, se encontrares algum sábio faz-te amigo dele » (6, 34); porque « quão bela é a sabedoria » dos anciãos (25, 5).

13. A comunidade cristã pode receber muito da serena presença dos que têm muitos anos de idade. Penso, sobretudo, na evangelização: a sua eficácia não depende principalmente da eficiência operativa. Em quantas famílias os netinhos recebem dos avós os primeiros rudimentos da fé! Porém, existem muitos outros campos a que pode estender-se a benéfica contribuição dos
anciãos. O Espírito atua como e onde quer, servindo-se frequentemente de meios humanos que aos olhos do mundo não têm muita importância. Quantos encontram compreensão e conforto em pessoas anciãs sós ou doentes, mas capazes de infundir coragem pelo conselho bondoso, a oração silenciosa, o testemunho do sofrimento acolhido com paciente abandono!
Justamente quando as energias vêm a faltar e se reduz a sua capacidade de movimento, estes nossos irmãos e irmãs tornam-se mais preciosos no desígnio misterioso da Providência.

Também sob este ponto de vista, para além de uma clara exigência psicológica do ancião, o lugar mais natural para viver a condição de ancianidade continua a ser aquele ambiente onde ele é « de casa », entre parentes, conhecidos e amigos, e onde pode prestar ainda algum serviço. Na medida que, com o aumento da vida média, cresce a faixa dos anciãos, será sempre mais urgente promover esta cultura de uma ancianidade acolhida e valorizada, não marginalizada. O ideal é que o ancião fique na família, com a garantia de ajudas sociais eficazes, relativamente às necessidades crescentes que supõem a idade ou a doença. Existem, porém, situações em que as próprias circunstâncias aconselham ou exigem o ingresso em « Lares de terceira idade », a fim de que o ancião possa gozar da companhia de outras pessoas e usufruir de uma assistência especializada. Tais instituições são, portanto, louváveis e a experiência ensina que elas podem prestar um precioso serviço, na medida em que se inspiram em critérios não só de eficiência organizativa, mas também de afetuosa atenção. Neste sentido, tudo é mais fácil se a relação estabelecida com cada hóspede ancião, por parte dos familiares, amigos, comunidades paroquiais, for tal que os ajude
a sentirem-se pessoas amadas e ainda úteis à sociedade. Como não lembrar aqui, com um grande sentimento de gratidão, as Congregações religiosas e os grupos de voluntariado, que se dedicam, com especial atenção, precisamente, à assistência dos anciãos, sobretudo dos mais pobres, abandonados ou que passam dificuldades?

Caríssimos anciãos, que vos encontrais em situações precárias por motivos de saúde ou outros, eu vos acompanho com afecto. Quando Deus permite o nosso sofrimento por causa da enfermidade, da solidão ou por outras razões ligadas à idade avançada, dá-nos sempre a graça e a força para que nos unamos com mais amor ao sacrifício do seu Filho e participemos com mais intensidade no seu projeto salvífico. Podemos estar certos: Ele é Pai, um Pai rico de amor e de misericórdia!

De modo especial, penso em vós, viúvos e viúvas, que ficastes sós a percorrer o último trecho da estrada da vida; em vós, religiosos e religiosas anciãos, que durante longos anos servistes fielmente a causa do Reino dos céus; em vós, caríssimos irmãos no Sacerdócio e no Episcopado que, tendo alcançado o limite de idade, deixastes a directa responsabilidade do ministério pastoral. A Igreja necessita ainda de vós. Ela aprecia os serviços que ainda podeis prestar nos vários campos de
apostolado, conta com o apoio da vossa assídua oração, espera o vosso experimentado conselho e enriquece-se com o testemunho evangélico por vós prestado dia após dia.

« Ensinar-me-eis o caminho da vida na
Vossa presença a plenitude da alegria »
(Sal 16 [15], 11)


14. É natural que, com o passar dos anos, se torne familiar o pensamento do « crepúsculo ». Recorda-no-lo, além de outros motivos, o mesmo fato que a lista dos nossos parentes, amigos e conhecidos vai-se reduzindo: percebe-mo-lo em diversas circunstâncias, por exemplo quando nos encontramos em reuniões de família, nos encontros com os nossos amigos de infância, de escola, de universidade, de serviço militar, com os nossos companheiros de seminário... A fronteira entre a vida e a morte atravessa as nossas comunidades e aproxima-se de cada um de nós inexoravelmente. Se a vida é uma peregrinação em direção à pátria celestial, a velhice é o tempo no qual se olha mais naturalmente para o limiar da eternidade.

E contudo a nós, anciãos, também custa resignar-nos com a perspectiva desta passagem. Esta, de facto, apresenta, na condição humana marcada pelo pecado, uma dimensão tenebrosa que necessariamente nos entristece e amedronta. Como poderia ser de outro modo? O homem foi criado para viver, enquanto que a morte — como a Sagrada Escritura nos explica desde as primeiras páginas (cf. Gn 2-3) — não estava no projecto original de Deus, mas apareceu após o pecado, fruto da « inveja do demônio » (Sab 2, 24). Compreende-se assim porque, diante desta realidade tenebrosa, o homem reaja e se revolte.
É significativo a este respeito que o mesmo Jesus, « provado em tudo, à nossa semelhança, exceto no pecado » (Hb 4, 15), tenha sentido medo diante da morte: « Meu Pai, se é possível passe de mim este cálice » (Mt 26, 39). Como é possível esquecer as suas lágrimas diante do túmulo do amigo Lázaro, apesar de que ele estivesse para ressuscitá-lo? (cf. Jo 11, 35).

Por mais que a morte seja racionalmente compreensível do ponto de vista biológico, não é possível vivê-la com « naturalidade ». Ela está em contraste com o instinto mais profundo do homem. O Concílio disse a este respeito: « É em face da morte que o enigma da condição humana mais se adensa. Não é só a dor e a progressiva dissolução do corpo que atormentam o homem, mas também, e ainda mais, o temor de que tudo acabe para sempre ». Não há dúvida que a dor permaneceria inconsolável, se a morte fosse a destruição total, o fim de tudo. Por isso, a morte obriga o homem a colocar-se precisamente interrogações radicais sobre o sentido da vida: o que há para além do muro sombrio da morte? Constitui ela o termo definitivo da vida ou existe algo que a ultrapassa?

15. Desde os tempos mais antigos até aos nossos dias, não faltam na cultura da humanidade respostas redutivas que limitam a vida aos dias que vivemos sobre esta terra. No próprio Antigo Testamento, algumas anotações do Livro do Eclesiastes fazem pensar na velhice como um edifício em demolição e na morte como na sua total e definitiva destruição (cf. 12, 1-7). Mas, precisamente por detrás destas respostas pessimistas, ganha maior relevo a perspectiva plena de esperança que brota do conjunto da Revelação, e especialmente do Evangelho: « Deus não é Deus de mortos, mas de vivos » (Lc 20, 38). Confirma-o o apóstolo Paulo ao dizer que o Deus que dá a vida aos mortos (cf. Rom 4, 17), dará a vida também aos nossos corpos mortais (cf. ibid. 8, 11). E Jesus afirma de Si próprio: « Eu sou a Ressurreição e a Vida; quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em Mim nunca morrerá » (cf. Jo 11, 25-26).

Cristo, tendo ultrapassado as fronteiras da morte, revelou a vida que está para além deste limite naquele « território » inexplorado pelo homem que é a eternidade. Ele é a primeira Testemunha da vida imortal; n'Ele a esperança humana revela-se cheia de imortalidade. « Se a certeza da morte nos entristece, conforta-nos a promessa da imortalidade ».(21) A estas palavras, que a Liturgia oferece aos crentes como consolação na hora da despedida de um ente querido, segue um anúncio de esperança: « Para os que crêem em Vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma; e, desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no céu uma habitação eterna ». Em Cristo, a realidade dramática e desconcertante da morte é resgatada e transformada, até manifestar a face de uma « irmã » que nos conduz aos braços do Pai.

16. Assim, a fé ilumina o mistério da morte e infunde serenidade à velhice, não mais considerada e vivida como espera passiva de um evento destruidor, mas como promissora aproximação à meta da plena maturidade. São anos que hão-de ser vividos com um sentido de abandono confiado nas mãos de Deus, Pai providente e misericordioso; um período a ser utilizado de modo criativo, para um aprofundamento da vida espiritual, com a intensificação da oração e do empenho de servir os irmãos na caridade.

Devem ser louvadas, portanto, todas aquelas iniciativas sociais que permitem aos anciãos quer continuar a cultivarem-se física, intelectual e socialmente, quer fazerem-se úteis, pondo à disposição dos demais o próprio tempo, as próprias capacidades e experiência. Deste modo, conserva-se e aumenta o gosto pela vida, dom fundamental de Deus. Por outro lado, tal apreço pela vida não contradiz aquele anseio de eternidade, que amadurece nos que experimentam um crescimento espiritual profundo, como bem o testemunha a vida dos Santos.

O Evangelho lembra-nos a este respeito as palavras do velho Simeão, que se declara preparado para morrer, a partir do momento em que pôde apertar entre seus braços o Messias esperado: « Agora, Senhor, podes deixar o Teu servo partir em paz, segundo a Tua palavra, porque os meus olhos viram a Salvação » (Lc 2, 29-30). O apóstolo Paulo sentia-se, de certa forma, em conflito entre o desejo de continuar a viver, para anunciar o Evangelho, e aqueloutro de « partir para estar com Cristo » (Fil 1, 23). S. Inácio de Antioquia, enquanto caminhava feliz para padecer o martírio, testemunhava sentir a voz do Espírito Santo na sua alma como « água » viva que brotava dentro dele, e lhe sussurrava o convite: « Vem para o Pai ». Os exemplos poderiam continuar. Estes não lançam qualquer sombra sobre o valor da vida terrena, que é bela, apesar dos limites e sofrimentos, devendo ser vivida até ao fim; lembram-nos, porém, que ela não é o valor último, de tal forma que o ocaso da vida, do ponto de vista cristão, assume os contornos de uma « passagem », de uma ponte lançada da vida à vida, entre a alegria frágil e insegura desta terra e o gozo total que o Senhor reserva aos seus servos fiéis: « Entra no gozo do Teu Senhor »
(Mt 25, 21).

Um auspício de vida

17. Com este espírito, caros irmãos e irmãs anciãos, enquanto faço votos de viverdes serenamente os anos que o Senhor estabeleceu para cada um, quero mainfestar-vos em toda a sua profundidade os sentimentos que me animam neste derradeiro período da minha vida, depois de mais de vinte anos de ministério na sede de Pedro, e já na imediata expectativa do terceiro
milênio. Apesar das limitações devidas à idade, conservo o gosto pela vida. Agradeço ao Senhor. É bonito poder gastar-se até ao fim pela causa do Reino de Deus!

Ao mesmo tempo, sinto uma grande paz quando penso ao momento em que o Senhor me chamar: de vida em vida! Por isso, tenho frequentemente nos lábios, sem qualquer sentimento de tristeza, uma oração que o sacerdote recita após a Celebração eucarística: In hora mortis meae voca me, et iube me venire ad te – « na hora da minha morte, chamai-me. E mandai-me ir para Vós ». É a oração da esperança cristã, que não priva em nada de alegria a hora presente, enquanto entrega o futuro à custódia da divina bondade.

18. « Iube me venire ad te! »: este é o anseio mais profundo do coração humano, mesmo em quem não está consciente disto.

O Senhor da vida, fazei-nos tomar plena consciência e saborear como um dom, rico de futuras promessas, cada período da nossa vida.

Fazei que acolhamos com amor a Vossa vontade, pondo-nos cada dia nas Vossas mãos misericordiosas.

E quando chegar o momento da « passagem » definitiva, concedei-nos de enfrentá-lo com espírito sereno, sem qualquer nostalgia daquilo que deixarmos. Ao encontrar-Vos, depois de longa procura, reencontraremos todo o valor autêntico experimentado neste mundo juntamente com todos os que nos precederam no sinal da fé e da esperança.

E Vós, Maria, Mãe da humanidade peregrina, rogai por nós « agora e na hora da nossa morte ». Conservai-nos sempre unidos a Jesus, Vosso dileto Filho e nosso irmão, Senhor da vida e da glória.

Amen.

Vaticano, 1 de Outubro de 1999.

 
 
 
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